"Eu tentarei tocar o mundo como Você tocou a minha vida. Eu quero ser Tuas mãos, eu quero ser Teus pés. Eu irei aonde Você me mandar". A.A.
23 de abril de 2012
Descendo do monte
“Bom é estarmos aqui!” É isso que dizem todos os que experimentam a presença de Deus. É agradável estar com Ele, ouvir Sua voz, Sua resposta, a companhia, a adoração, sentir o cuidado, o amor e o fluir desse relacionamento. Não importa a forma nem o local onde se dá essa relação – chorando, rindo, cantando, lendo, num quarto fechado, à beira mar, num templo, na rua – a presença de Deus é um bálsamo para aqueles que O buscam. É o que diria Pedro na experiência da transfiguração. Tão maravilhoso aquele momento para todos os que estavam ali naquele monte. Tão singular. Uma experiência rara. “Que tal armarmos uma tenda pra cada um, Senhor, está tão bom aqui!” Quem não gostaria de permanecer ali pelo resto da vida?! Quem?! Cristo. Ele sabia que lá embaixo havia uma multidão que chorava, pessoas que sentiam dores por seus filhos nas drogas, lares esperando restauração, enfermos aguardando cura, vidas carecendo de libertação e de esperança; pessoas de fé, mas oprimidas por uma religiosidade oca, vã. Uma multidão de gente carente de um toque, um ensinamento, um olhar. Homens e mulheres necessitados de amor e aceitação incondicionais... Não, não há porque permanecer no monte. Mais uma vez Cristo optou: mais uma vez Ele se fez carne, desceu, se pôs no caminho. Caminhou em direção ao que sofre. E Ele armou sua tenda sim, mas no meio do povo – “E a Palavra se fez carne e habitou (em grego: ‘armou sua tenda’) entre nós” (Jo 1,14). Jesus desceu para os guetos, para os homoafetivos, para as prostitutas, para os excluídos, para as cracolândias e os amou, habitou com eles, se fez igual a eles. Ele desceu e viveu a esperança. Ele desceu e mostrou que é possível sim um Deus mais perto. Da mesma forma hoje, a Palavra de Deus existe para acontecer no meio do povo, ela deve resplandecer. Ela não é Palavra se ficar enclausurada. Ela só é Palavra se ousar romper o silêncio e acontecer, de fato, na vida! No monte há sim a possibilidade de desfrutar da presença de um Deus vivo, real. Lá há combustível, há uma fonte de água viva e dela precisamos beber até transbordar por todo nosso corpo. Eu quero me banhar nessa água, mas para que eu possa descer e fazer acontecer de novo o milagre da salvação, do resgate, do amor de Deus pela humanidade. Cada vez que a gente desce, o milagre se repete e Cristo vive outra vez, embora já esteja vivo em nós. Sim, encha-se até jorrar, porque há lugares desertos, secos, esperando por um Cristo sem preconceito, um Cristo humano, comendo ou passando fome; sorrindo ou chorando. O Verbo vivo, Palavra personificada de Deus, aquele que É. No monte, na igreja ou no seu quarto, abasteça-se, deleite-se no Pai que está em secreto, mas não esqueça que lá embaixo há uma multidão sedenta que precisa de tudo que você tem. Ponha-se no caminho. Natanael B. de Sousa Jr. Rossana Ferreira Refosco "Porque Ele vive, posso crer no amanhã".
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