"Eu tentarei tocar o mundo como Você tocou a minha vida. Eu quero ser Tuas mãos, eu quero ser Teus pés. Eu irei aonde Você me mandar". A.A.
29 de dezembro de 2016
Geni e o vendedor ambulante
“As guerras só podem ser impedidas se as pessoas estiverem prontas a ser perseguidas por não participarem delas. É o único meio”. Leon Tolstoi
O último texto que escrevi falava sobre os mortos-vivos, na verdade, os vivos-mortos.
É possível que no mesmo momento em que eu estava debruçada sobre lápis e caderno, registrando minhas anotações, aquele “senhorzinho” estava lá, na estação Pedro II, ao chão da capital paulistana sendo espancado.
Quem lembraria do senhor Luiz Carlos Ruas?
Tinha seus 54 anos e desempenhava um papel insignificante:Vendedor ambulante. As pessoas esquecem que não era isso que ele era, era isso que ele fazia. Ele era muito mais.
A morte de Luiz pra mim é bem mais do que um retrato de crueldade.
Na paisagem panorâmica brasileira, há uma imagem ensanguentada.
O texto que escrevi sobre “os mortos vivos e o natal” pareceu profético, retrata a escassez do bem.
Sinto-me como nos tempos de Ezequiel, ao relento; sobre ou sob; diante ou submersa (não sei ao certo) no vale de ossos secos.
Pessoas mortas e desalmadas é o que encontramos por aí.
Estamos num tempo em que um “bom dia” causa até desconfiança.
Por mais que você possibilite uma relação de confiança e acredite na esperança de encontrar alguém do bem, ao fim, descobre que mais uma vez você errou.
Não diria exatamente o mal, mas o bem pervertido parece prevalecer.
Mas esta figura do quadro da noite do episódio no metrô de São Paulo, está longe de ser de ódio e de assassinato, nem de perto parece a morte da qual falara anteriormente, pelo menos a morte do vendedor;
A morte, o ódio e o assassinato, para minha interpretação, está no calabouço da imagem, porque embora o espancamento, o maltrato, a injustiça e a maldade também estejam pintadas, elas não são o foco de meus olhos.
Se alguém se expôs para defender um transexual, classe marginal e vítima do pior tipo de preconceito na nossa sociedade, é porque o bem não morreu.
Se alguém viu o mal e se opôs, o bem prevaleceu.
Alguém entendeu que era mais importante ser humano do que ser homo, heterossexual ou o que quiser ser além.
O natal estava ali, na escuridão daquela estação, mais do que em muitas mesas fartas de famílias reunidas, porque alguém resistiu à injustiça e se opôs à maldade.
Seu Luiz significa esperança; um grão de trigo que morreu para florescer, pelo menos em mim e, espero que também naquele travesti, que fora a última pessoa que ouviu o pedido do seu Luiz em sua defesa: “Não faz isso com o rapaz!”, em outras palavras: "Não joga pedra na Geni".
Se o mal foi imenso naquele dia, o bem maior ainda, porque o único meio de acabar com a guerra é se opondo a ela.
Pelo assassinato do Senhor Luiz Carlos Ruas, 54 anos; por defender um transexual na noite de 25 de dezembro de 2016; na estação Pedro II; São Paulo; Brasil.
Imagem:Arranjo em preto e conza nº 1 (retrato da mãe do artista);James McNeill Whistler; de 1871
Rossana F. Refosco
26 de dezembro de 2016
O primeiro natal
O primeiro natal não parece, nem de longe, com o que aparece nas fotos, reuniões familiares e cartões natalinos.
Primeiro, a notícia que o anjo deu a Maria - uma adolescente solteira - não poderia ter sido "pior".
Era lei que a mulher que engravidasse solteira, fosse considerada adúltera com o risco de ser apedrejada.
Enquanto Isabel exibia o milagre em seu ventre, Maria e José escondiam.
Como se não bastasse a notícia e desconfiança de José quanto a fidelidade de Maria, ainda tinham que sair do próprio aconchego e fugir do conflito de Roma, do massacre do psicopata Herodes.
Não houve paz no primeiro natal.
Segundo alguns repórteres, a rápida visita da rainha Elizabeth II aos EUA, custou aproximadamente vinte milhões de dólares. Seus pertences pesaram seis mil e oitocentos quilos de bagagem, quarenta quartilhos de plasma e assentos de pelica branca para vasos sanitários. Trouxe camareiros, cabeleireira e inúmeros atendentes.
Um humilde contraste, a visita de Deus à terra aconteceu numa estrebaria; sem presentes e sem lugar pro recém nascido deitar além de um cocho. O acontecimento que dividiu a história, talvez tenha tido mais testemunhas animais que humanas. Deus, em Cristo, deitou-se a ser dessecado pelos céticos e correu o risco de ser vítima analítica de incrédulos. Ele se expôs porque não tinha do que temer. Sua glória era fazer-se igual. Ele esvaziou-se de si mesmo e veio ao mundo também como um ovo fecundado.
24 de Dezembro de 2015
Inspirado em : YANCEY, Phillip. O Jesus que nunca conheci.
Rossana F. Refosco
Primeiro, a notícia que o anjo deu a Maria - uma adolescente solteira - não poderia ter sido "pior".
Era lei que a mulher que engravidasse solteira, fosse considerada adúltera com o risco de ser apedrejada.
Enquanto Isabel exibia o milagre em seu ventre, Maria e José escondiam.
Como se não bastasse a notícia e desconfiança de José quanto a fidelidade de Maria, ainda tinham que sair do próprio aconchego e fugir do conflito de Roma, do massacre do psicopata Herodes.
Não houve paz no primeiro natal.
Segundo alguns repórteres, a rápida visita da rainha Elizabeth II aos EUA, custou aproximadamente vinte milhões de dólares. Seus pertences pesaram seis mil e oitocentos quilos de bagagem, quarenta quartilhos de plasma e assentos de pelica branca para vasos sanitários. Trouxe camareiros, cabeleireira e inúmeros atendentes.
Um humilde contraste, a visita de Deus à terra aconteceu numa estrebaria; sem presentes e sem lugar pro recém nascido deitar além de um cocho. O acontecimento que dividiu a história, talvez tenha tido mais testemunhas animais que humanas. Deus, em Cristo, deitou-se a ser dessecado pelos céticos e correu o risco de ser vítima analítica de incrédulos. Ele se expôs porque não tinha do que temer. Sua glória era fazer-se igual. Ele esvaziou-se de si mesmo e veio ao mundo também como um ovo fecundado.
24 de Dezembro de 2015
Inspirado em : YANCEY, Phillip. O Jesus que nunca conheci.
Rossana F. Refosco
24 de dezembro de 2016
Os mortos vivos e o natal
Lá fora está cheio de mortos e aqui dentro há ainda alguns; alguns que ainda não decidiram o que são.
Mortos vivos: é o que eles são.
Egoístas, Maus, traidores, mentirosos.
Parecem gente como a gente, mas não o são. Visam apenas a si mesmos e matam seus semelhantes por causa de seus objetos.
Alguns não são maus, mas são indiferentes, o que é quase o mesmo.
A cidade está repleta dessa gente, mas gente que não é gente; Gente que não é humana.
Não haverá natal enquanto não optarmos pela justiça e honestidade; enquanto nos calarmos diante da injustiça ou omitirmos a verdade.
Não haverá natal enquanto escolhermos as mentiras à verdade.
Não haverá natal enquanto os maridos traírem suas mulheres.
Não haverá natal enquanto não entendermos que a lei é desnecessária quando há amor.
Não haverá natal, enquanto nossa esperança estiver apenas nas pessoas, nas coisas ou projetos políticos.
Não haverá natal enquanto eu julgar alguém pela aparência ou pelo que não possui ou possui.
Não haverá natal se a fome do outro não molhar meu rosto, se a dor do outro não me doer.
Não haverá natal para os vivos que estão mortos.
Não haverá natal enquanto estiver andando sem direção.
Não haverá natal enquanto a minha frustração me fizer machucar mais pessoas, enquanto eu não quebrar o ciclo da maldade e do ódio com o bem.
Não haverá natal se eu preferir ficar assentado no meu lugar de direito enquanto alguém mais velho está em pé.
Não haverá natal enquanto eu esperar que os outros sejam bons antes de mim.
Não haverá natal enquanto os sobreviventes não estiverem juntos, lutando juntos ou até morrendo, mas JUNTOS.
Os mortos estão lá, estão cá, estão por toda parte.
Os mortos se alimentam dos vivos.
Os mortos se alimentam das lágrimas dos que sobreviveram, porque causam revolta e se cada um dos vivos se revoltam, caminharão para a morte.
Não haverá natal enquanto eu não considerar a minha vida e todas as vidas preciosas.
Não haverá natal enquanto o amor estiver escasso.
Os mortos estão por toda parte, estão ao nosso lado; no trabalho, em nossa casa, na igreja, nos shoppings, nos metrôs, ônibus. Eles estão perto, por vezes disfarçados de vivos, mas vivendo como zumbis, para destruir.
Nós somos sobreviventes. Sobreviventes amam pessoas e não coisas.
Para os sobreviventes há natal todos os dias.
Para os sobreviventes, não importa o tamanho do risco que se corre, desde que não morramos vivos;
Eles se alimentam de ódio, a maldade e criam contenda entre irmãos. Os sobreviventes amam e se protegem, acima de tudo. Os sobreviventes não se iludem com o dinheiro ou com aplausos. Para os sobreviventes, há ceia diária, há natal cada vez que fazemos o bem sem nos cansarmos.
Os sobreviventes sabem que precisam "morrer" todos os dias para que haja a esperança do NATAL.
E o natal dos sobreviventes é um convite aos mortos a abandonarem a mentira, a maldade, a traição, omissão, a indiferença e o amor fingido...
Porque sempre é possível MUDAR.
É um convite para que se arrependam porque APENAS os arrependidos sobreviverão, mesmo que seus corpos se acabem, viverão para sempre, porque o amor é eterno, e somos sobreviventes,porque ele ainda nos resta, então para nós é natal, porque Cristo está em nós. Cristo nasce em nós cada vez que escolhemos amar e perdoar.
Aos vivos: continuem sobrevivendo juntos, se protegendo.
Aos mortos: sejam como nós.
À todos, um natal que seja real.
Rossana F. Refosco
Mortos vivos: é o que eles são.
Egoístas, Maus, traidores, mentirosos.
Parecem gente como a gente, mas não o são. Visam apenas a si mesmos e matam seus semelhantes por causa de seus objetos.
Alguns não são maus, mas são indiferentes, o que é quase o mesmo.
A cidade está repleta dessa gente, mas gente que não é gente; Gente que não é humana.
Não haverá natal enquanto não optarmos pela justiça e honestidade; enquanto nos calarmos diante da injustiça ou omitirmos a verdade.
Não haverá natal enquanto escolhermos as mentiras à verdade.
Não haverá natal enquanto os maridos traírem suas mulheres.
Não haverá natal enquanto não entendermos que a lei é desnecessária quando há amor.
Não haverá natal, enquanto nossa esperança estiver apenas nas pessoas, nas coisas ou projetos políticos.
Não haverá natal enquanto eu julgar alguém pela aparência ou pelo que não possui ou possui.
Não haverá natal se a fome do outro não molhar meu rosto, se a dor do outro não me doer.
Não haverá natal para os vivos que estão mortos.
Não haverá natal enquanto estiver andando sem direção.
Não haverá natal enquanto a minha frustração me fizer machucar mais pessoas, enquanto eu não quebrar o ciclo da maldade e do ódio com o bem.
Não haverá natal se eu preferir ficar assentado no meu lugar de direito enquanto alguém mais velho está em pé.
Não haverá natal enquanto eu esperar que os outros sejam bons antes de mim.
Não haverá natal enquanto os sobreviventes não estiverem juntos, lutando juntos ou até morrendo, mas JUNTOS.
Os mortos estão lá, estão cá, estão por toda parte.
Os mortos se alimentam dos vivos.
Os mortos se alimentam das lágrimas dos que sobreviveram, porque causam revolta e se cada um dos vivos se revoltam, caminharão para a morte.
Não haverá natal enquanto eu não considerar a minha vida e todas as vidas preciosas.
Não haverá natal enquanto o amor estiver escasso.
Os mortos estão por toda parte, estão ao nosso lado; no trabalho, em nossa casa, na igreja, nos shoppings, nos metrôs, ônibus. Eles estão perto, por vezes disfarçados de vivos, mas vivendo como zumbis, para destruir.
Nós somos sobreviventes. Sobreviventes amam pessoas e não coisas.
Para os sobreviventes há natal todos os dias.
Para os sobreviventes, não importa o tamanho do risco que se corre, desde que não morramos vivos;
Eles se alimentam de ódio, a maldade e criam contenda entre irmãos. Os sobreviventes amam e se protegem, acima de tudo. Os sobreviventes não se iludem com o dinheiro ou com aplausos. Para os sobreviventes, há ceia diária, há natal cada vez que fazemos o bem sem nos cansarmos.
Os sobreviventes sabem que precisam "morrer" todos os dias para que haja a esperança do NATAL.
E o natal dos sobreviventes é um convite aos mortos a abandonarem a mentira, a maldade, a traição, omissão, a indiferença e o amor fingido...
Porque sempre é possível MUDAR.
É um convite para que se arrependam porque APENAS os arrependidos sobreviverão, mesmo que seus corpos se acabem, viverão para sempre, porque o amor é eterno, e somos sobreviventes,porque ele ainda nos resta, então para nós é natal, porque Cristo está em nós. Cristo nasce em nós cada vez que escolhemos amar e perdoar.
Aos vivos: continuem sobrevivendo juntos, se protegendo.
Aos mortos: sejam como nós.
À todos, um natal que seja real.
Rossana F. Refosco
5 de dezembro de 2016
Da criação
Não tinha forma, nem vida
Descolorida e vazia
Uma voz doce, querida
Com muito amor dizia:
"Haja Luz!" E o sol brilhou
E o escuro acabou
O céu e a água separou
Em cima e embaixo colocou
Sinto o toque de amor
Em cada parte deste mundo
Pois com beleza, o criador
Pintou seu cuidado profundo
"Produza a vegetação
E plantas de todos os tipos!"
Toda semente, todo grão
À vida deu encantos ricos
São tantos gostos e texturas
E cores diversificadas
Doces, azedos. Quanta ternura!
Como as pessoas são amadas!
O criador deu importância
E pôs as coisas em seu lugar
Cada detalhe há segurança
Que nEle posso confiar
E sem falar nos grandes astros
Refletem luzes amarelas
E todos seguem um compasso
O sol, a lua e as estrelas
As águas doces e salgadas
Sustentam todo o universo
A perfeição bem estampada
Descrevo aqui na frente e verso
Nem mencionei os animais
Milhões de raças e espécies
Grandes, pequenos - tanto faz
Pode-se dividir em séries
Quem acredita em Deus
Tem certeza de seu cuidado
Tudo foi feito para os seus
Por Ele o mundo é amado
A natureza é uma prova:
Deus é muito inteligente
O seu cuidado se renova
E sua força está na gente.
Rossana F. Refosco
Descolorida e vazia
Uma voz doce, querida
Com muito amor dizia:
"Haja Luz!" E o sol brilhou
E o escuro acabou
O céu e a água separou
Em cima e embaixo colocou
Sinto o toque de amor
Em cada parte deste mundo
Pois com beleza, o criador
Pintou seu cuidado profundo
"Produza a vegetação
E plantas de todos os tipos!"
Toda semente, todo grão
À vida deu encantos ricos
São tantos gostos e texturas
E cores diversificadas
Doces, azedos. Quanta ternura!
Como as pessoas são amadas!
O criador deu importância
E pôs as coisas em seu lugar
Cada detalhe há segurança
Que nEle posso confiar
E sem falar nos grandes astros
Refletem luzes amarelas
E todos seguem um compasso
O sol, a lua e as estrelas
As águas doces e salgadas
Sustentam todo o universo
A perfeição bem estampada
Descrevo aqui na frente e verso
Nem mencionei os animais
Milhões de raças e espécies
Grandes, pequenos - tanto faz
Pode-se dividir em séries
Quem acredita em Deus
Tem certeza de seu cuidado
Tudo foi feito para os seus
Por Ele o mundo é amado
A natureza é uma prova:
Deus é muito inteligente
O seu cuidado se renova
E sua força está na gente.
Rossana F. Refosco
29 de novembro de 2016
Um quarteto
Melhor me tornara o tempo
Cada sonho desfeito
Cada plano mal feito
Cada conto atento
Tiveram-me de mentir o momento
De amar por engano
De causar tanto dano
Me aspirar desalento
Espremendo-me ali no casulo
Abortando com a força
Meu desejo de moça
Meramente absurdo
Na umidade da noite sorrio
Sem perder o alento
Me deixar ao relento
E parecer tão sombrio
Imagem: Le Rêve; Pablo Picasso; 1932.
Rossana F. Refosco
Cada sonho desfeito
Cada plano mal feito
Cada conto atento
Tiveram-me de mentir o momento
De amar por engano
De causar tanto dano
Me aspirar desalento
Espremendo-me ali no casulo
Abortando com a força
Meu desejo de moça
Meramente absurdo
Na umidade da noite sorrio
Sem perder o alento
Me deixar ao relento
E parecer tão sombrio
Imagem: Le Rêve; Pablo Picasso; 1932.
Rossana F. Refosco
21 de novembro de 2016
Rio
Rio da vida
Rio na vida
Rio com a vida
Rio com amiga
Rio sozinha
Faço-te rir
O riso é meu forte.
Riso contínuo
Riso contigo
Riso da morte ou má sorte
Riso mais sério é poesia
Cama onde deito-me nua
Gozo-me ainda sua
Gozo-te bem porque Rio
Rossana F. Refosco
Imagem: Rob Gonsalves;Toronto,1959.
Rio na vida
Rio com a vida
Rio com amiga
Rio sozinha
Faço-te rir
O riso é meu forte.
Riso contínuo
Riso contigo
Riso da morte ou má sorte
Riso mais sério é poesia
Cama onde deito-me nua
Gozo-me ainda sua
Gozo-te bem porque Rio
Rossana F. Refosco
Imagem: Rob Gonsalves;Toronto,1959.
28 de outubro de 2016
Mais altos
As coisas ficam diferentes
Tudo muda de lugar
O que era bom
Pode não mais ser
Ou continuar;
A história
Pode ter outro final
Os personagens
Podem nem ser os mesmos
Pode faltar o pão
E não chegar a luz
Pode não ter o que se quer
E o dinheiro acabar
Mas eu estou bem certo
que Ele é poderoso
Para fazer além do que eu sonhar
Mesmo que não se cumpram
Nenhum dos meus projetos
Contigo ao meu lado
Tudo vai dar certo
Assim como os céus
são mais altos que a terra
Assim seus pensamentos
são mais altos que os meus
Meus olhos não enxergam
Nem o próximo segundo
Mas os Teus(...)
03 de Novembro de 2008, editada em 27/10/2016
Rossana F. Refosco
Tudo muda de lugar
O que era bom
Pode não mais ser
Ou continuar;
A história
Pode ter outro final
Os personagens
Podem nem ser os mesmos
Pode faltar o pão
E não chegar a luz
Pode não ter o que se quer
E o dinheiro acabar
Mas eu estou bem certo
que Ele é poderoso
Para fazer além do que eu sonhar
Mesmo que não se cumpram
Nenhum dos meus projetos
Contigo ao meu lado
Tudo vai dar certo
Assim como os céus
são mais altos que a terra
Assim seus pensamentos
são mais altos que os meus
Meus olhos não enxergam
Nem o próximo segundo
Mas os Teus(...)
03 de Novembro de 2008, editada em 27/10/2016
Rossana F. Refosco
10 de outubro de 2016
O doce do seu José
Seu José vendia doces
E era bem mal humorado
Grosso com qualquer que fosse
Até com a dona Do Carmo
Quanto custa, seu José?
"Está na placa!" -respondia
"Vê se larga do meu pé!"
Ainda assim, ele dizia
Não é que o doce era gostoso!
Mesmo com toda essa chatice
Seu José falava nervoso
Para que todo mundo visse
Ninguém sabia o motivo
De seu José dar tanta bronca
Não dava nunca um sorriso
Tratavam-no como uma onça
Como pode um vendedor
Sujeito tão mal humorado
Tratar mal um comprador
Ou quem estivesse ao seu lado?
Sempre áspero respondia
Que não queria nem saber
Caso a sua freguesia
Seu doce deixasse de comer
No fundo seu José sabia
Que o seu doce era gostoso
Nunca ninguém faria
Algo assim tão saboroso
Era um doce apetitoso
Um chocolate com coco
Mas seu José, o rancoroso
Fechava a cara e dava o troco
Mas por quê ele é assim
Alguém ja se perguntou
E este gênio tão ruim
Será que alguém já o amou?
Julia teve uma ideia
De tratá-lo com carinho
Reuniu a clientela
E explicou o seu planinho
Para todos os clientes
Julia apresentou o plano
E ficaram sorridentes
Com o gesto tão humano
Começaram a agir
Com bastante gentileza
Para seu José sorrir
E expulsar toda tristeza
O seu doce elogiaram
E apertaram a sua mão
Um bilhete o entregaram
Dizendo:"É de coração!"
Seu José se emocionou
Quando leu este bilhete
E chorando ele pensou:
Vou guardar como lembrete.
Seu José no outro dia
Vendia os doces com sorriso
Outra pessoa parecia
De todos se tornou amigo
Lhe faltava era amor
E Julia bem percebeu
Quando ofereceu uma flor
E seu José lhe agradeceu
09/10/2016
Para Davi (Dia das Crianças)
Rossana F. Refosco
E era bem mal humorado
Grosso com qualquer que fosse
Até com a dona Do Carmo
Quanto custa, seu José?
"Está na placa!" -respondia
"Vê se larga do meu pé!"
Ainda assim, ele dizia
Não é que o doce era gostoso!
Mesmo com toda essa chatice
Seu José falava nervoso
Para que todo mundo visse
Ninguém sabia o motivo
De seu José dar tanta bronca
Não dava nunca um sorriso
Tratavam-no como uma onça
Como pode um vendedor
Sujeito tão mal humorado
Tratar mal um comprador
Ou quem estivesse ao seu lado?
Sempre áspero respondia
Que não queria nem saber
Caso a sua freguesia
Seu doce deixasse de comer
No fundo seu José sabia
Que o seu doce era gostoso
Nunca ninguém faria
Algo assim tão saboroso
Era um doce apetitoso
Um chocolate com coco
Mas seu José, o rancoroso
Fechava a cara e dava o troco
Mas por quê ele é assim
Alguém ja se perguntou
E este gênio tão ruim
Será que alguém já o amou?
Julia teve uma ideia
De tratá-lo com carinho
Reuniu a clientela
E explicou o seu planinho
Para todos os clientes
Julia apresentou o plano
E ficaram sorridentes
Com o gesto tão humano
Começaram a agir
Com bastante gentileza
Para seu José sorrir
E expulsar toda tristeza
O seu doce elogiaram
E apertaram a sua mão
Um bilhete o entregaram
Dizendo:"É de coração!"
Seu José se emocionou
Quando leu este bilhete
E chorando ele pensou:
Vou guardar como lembrete.
Seu José no outro dia
Vendia os doces com sorriso
Outra pessoa parecia
De todos se tornou amigo
Lhe faltava era amor
E Julia bem percebeu
Quando ofereceu uma flor
E seu José lhe agradeceu
09/10/2016
Para Davi (Dia das Crianças)
Rossana F. Refosco
Marcelo e o dente
Era uma vez um menino
Seu nome era Marcelo
Desde bem pequenino
Comia doce de Marmelo
Mas sua mãe lhe dizia:
"Escova bem estes dentes!"
Marcelo atento ouvia
E escovava de trás para frente
Uma vez quando amanheceu
Marcelo acordou diferente
Abriu a boca e percebeu
Que lá atrás havia mais um dente.
Nossa! Mamãe, venha ver!
Um dente novo nasceu
Será que ele vai crescer?
Bom, só sei que ele é meu.
Preciso escovar com cuidado
Esse novo dentinho
Para ser bem tratado
Devo cuidar com jeitinho
Pro banheiro corro contente
Sempre que algo comer
Vou logo escovar os dentes
Pra bem saudável crescer
Preciso beber muito leite
E seus derivados comer
Queijo, Manteiga, Iogurte
E meus dentes fortalecer
Olhe como o dente cresceu!
Por causa de algo importante
Desde que ele nasceu
Escovo de modo constante
Ficou forte, branco e limpinho
Nunca deixarei de cuidar
Vou sorrir com beleza e carinho
Para todos os que eu amar.
Pelo nascimento do 1º dente molar inferior esquerdo de Davi.
02/10/2016
Rossana F. Refosco
Seu nome era Marcelo
Desde bem pequenino
Comia doce de Marmelo
Mas sua mãe lhe dizia:
"Escova bem estes dentes!"
Marcelo atento ouvia
E escovava de trás para frente
Uma vez quando amanheceu
Marcelo acordou diferente
Abriu a boca e percebeu
Que lá atrás havia mais um dente.
Nossa! Mamãe, venha ver!
Um dente novo nasceu
Será que ele vai crescer?
Bom, só sei que ele é meu.
Preciso escovar com cuidado
Esse novo dentinho
Para ser bem tratado
Devo cuidar com jeitinho
Pro banheiro corro contente
Sempre que algo comer
Vou logo escovar os dentes
Pra bem saudável crescer
Preciso beber muito leite
E seus derivados comer
Queijo, Manteiga, Iogurte
E meus dentes fortalecer
Olhe como o dente cresceu!
Por causa de algo importante
Desde que ele nasceu
Escovo de modo constante
Ficou forte, branco e limpinho
Nunca deixarei de cuidar
Vou sorrir com beleza e carinho
Para todos os que eu amar.
Pelo nascimento do 1º dente molar inferior esquerdo de Davi.
02/10/2016
Rossana F. Refosco
16 de setembro de 2016
O Velho Chico
Águas traiçoeiras vêm e vão...
As ondas devolvem
As correntezas, não
Imagem:aldeiacomum.com
Rossana F. Refosco
26 de agosto de 2016
Nossos seis
O tempo se esvai repentino
E alivio-me que ainda descanse
Em meus braços
Juntos
Esperando seu sono chegar
E ao som do meu canto dormes
Com histórias lidas, infindas
E meus dedos entre os seus cabelos
Seus olhos fecham no embalar
E quando os monstros vêm
Me pedes para a sua mão segurar
Até que adormeças
Pequenas, quentes, macias
Juntas das minhas...
Tenho em mim
Que os grãos de areia
Me apressam em ir devagar
Profundo
Intenso
Cuidar de me acalmar
Aos poucos olhar, admirar
Degustar
E não deixar que o momento
Se vá...
Rossana F. Refosco
E alivio-me que ainda descanse
Em meus braços
Juntos
Esperando seu sono chegar
E ao som do meu canto dormes
Com histórias lidas, infindas
E meus dedos entre os seus cabelos
Seus olhos fecham no embalar
E quando os monstros vêm
Me pedes para a sua mão segurar
Até que adormeças
Pequenas, quentes, macias
Juntas das minhas...
Tenho em mim
Que os grãos de areia
Me apressam em ir devagar
Profundo
Intenso
Cuidar de me acalmar
Aos poucos olhar, admirar
Degustar
E não deixar que o momento
Se vá...
Rossana F. Refosco
7 de julho de 2016
Luz
"Jesus disse: "Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida".João 8.12
"Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma".1Jo 1.5;
Eu memorizei estes versos ainda criança e o primeiro verso foi um dos primeiros que Davi aprendeu também. Mas confesso que esta última reflexão me arrepiou. Talvez porque tenho tido uma percepção de mundo mais realista.
Quando éramos crianças, tínhamos medo de monstros, mas houve em determinado instante, uma ruptura deste nosso mundo imaginário, que nos transportou para a realidade. Não existem monstros, nem bruxas, nem fantasmas! Porém mais tarde, nos deparando com o ódio, desrespeito, mágoas, mortes e violências, percebemos que o "velho do saco" é real. O destruidor de sonhos também. São os homens maus. Percebemos que não há luz! As cidades estão com as luzes apagadas; os faróis estão desligados. O mundo está em trevas! Pessoas desrespeitam pessoas; pessoas ameaçam pessoas; pessoas têm medo de pessoas!!! Onde está a luz? Vivo quase que clamando: por Deus, acendam uma vela!! Mas vemos as pessoas acostumadas com as injustiças e muitos indiferentes a esta escuridão! Poderosos colocando em suas próprias mesas, o alimento que falta ao pobre. Um tem fome enquanto o outro vomita o seu excesso.
Para tanto, no texto está contido uma fala de Cristo na qual meu coração descansou: " Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, não andará em trevas"; e "... Deus é luz, nele não há nem um traço de escuridão".
Fico feliz por ter uma referência, um parâmetro; e poder optar por um estilo de vida iluminado pelo próprio Cristo, um autêntico condutor de luz. Então me cabe optar pelo texto de Isaías 60.1, que diz:"Levanta-te e resplandece porque a Luz está em você".
Ou, diria Confúcio: "Até que o sol não brilhe, acendamos uma vela na escuridão".
Rossana F. Refosco
4 de abril de 2016
O encontro
João 4.6-43
Depois de ouvir a narrativa do encontro de Jesus com a mulher samaritana, surpreendi-me com a questão retórica:
“E eu, o que tenho a dizer sobre o meu encontro com Cristo?”
Talvez eu não tenha nada a dizer sobre este encontro; Local, data, sensação... Senti como se tudo isso se tivesse passado desapercebido.
Mas algo tenho de igual modo àquela mulher, pensei: ambas não conseguimos nos conter depois dele, e não exatamente pelo meu dizer, mas pelo meu ser.
Eu diria que a beleza de nosso encontro não “aconteceu”, no pretérito perfeito; Este verbo intransitivo está no presente: ele acontece.
Mas não deixei, por assim ser, de olhar para atrás, porque observando o trajeto, percebo que o verbo pode ser conjugado no gerúndio, indicando que este nosso encontro não é estático.
Nasci num contexto bem Cristocêntrico, no entanto, o meu contato com a figura de Cristo estava associada mais a um débito que eu tinha, principalmente pela razão de não ter tido uma infância tranquila, dentro dos padrões de comportamentos adequados.
Cristo era aquele cara que eu não conseguia obedecer e, embora a possibilidade de eu ir pro inferno, pelo meu mau comportamento, fosse grande, eu não conseguia fazer nada do que ele queria.
Em resumo, minha relação com Cristo era de pura dívida.Um fardo pesado demais.
Por causa disso, durante anos senti o peso da responsabilidade e o medo por não conseguir cumprir tudo o que precisava; mesmo que acertasse em alguns pontos, acabava errando em outros, então a dívida nunca tinha um fim e eu nunca me sentia feliz;
Confesso que com a maturidade, o débito foi diminuindo porque eu tentava fazer com que meus atos e minha reputação fossem irrepreensíveis e acabava agindo conforme a lei.
Aprendi a me comportar de maneira adequada porque achava que Deus esperava isso de mim.
Meu compromisso era unicamente horizontal – entre Deus e eu e o que atravessasse esta relação era totalmente sem importância pra mim.
Me importava amar a Deus e obedecê-lo. Passava horas lendo a bíblia e orando, o restante era secundário.
Mateus 6.33 ("Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça e as demais coisas vos serão acrescentadas") significava isto: Deus primeiro e todo o resto era sem importância
Pela fé, eu matava e morria; pela obediência, fiz escolhas erradas e pela religião, não amava."Apenas" Deus importava.
Depois de cumprir as leis, achei que Deus fosse me retribuir, mas Ele não o fez. Pela fé, pequei.
Me disseram, que se eu fosse fiel em cumprir a lei, eu seria feliz, porque o resultado da obediência era felicidade certa.
Mais tarde aprendi que felicidade e paz eram diferentes e, por vezes, elas eram inversamente proporcionais.
Foi no caminho da injustiça que descobri que o amor de Deus tinha a ver com Cristo e não comigo. Não era o que eu fazia ou deixava de fazer, mas o que Cristo já havia feito. Nem méritos, nem deméritos.
Entendi que o amor de Deus era impossível de conquistar e impossível de se perder.
Entendi que a lei respalda o pecado, então abri mão dela.
Assim, meu encontro com Cristo resultou em libertação. (“...a verdade vos libertará”. João 8.32)
Quando abri mão da lei, percebi Cristo em mim, porque não precisava mais dela, contudo, minha responsabilidade, por certo, aumentara significativamente.
A partir deste encontro percebi que quando um idoso chega, eu não preciso estar num assento prioritário para dar meu lugar.
Desta forma, entendi que este encontro com Cristo pode transformar o mundo de verdade.
É este o meu encontro com Cristo, dia após dia, no meu caminhar;
Não porque obedeço as leis, mas porque Ele vive em mim.
E vivo assim, como aquela mulher, sem conseguir conter este amor que um dia recebi apesar de ser quem eu sou.
Rossana F. Refosco
14 de março de 2016
Soneto claro
O dia que antes frio, de cor baça
Revira-se: leve rio, precípite passa
Vai-se assim, impetuoso tempo curto
Coração, contigo são, meu bem, meu furto
Tal qual formosura da vidraça
Espelho que o calor não embaça
Vieste-me fazendo elo em tudo
A cura, o riso, a paz, o escudo
Como pode doce e suave teu falar?
Que descreve belo cada pensamento
Generoso e puro jeito de amar
Fazendo-me assim pensar por um momento
Que a vida em si é dada a me deixar
Feliz em cada seu contentamento
Rossana F. Refosco
The Key to the Fields; Rene Magritte; 1936.
15 de fevereiro de 2016
Desacerto
(A Mário Quintana)
Aos poucos jazia
A folha antes verde,
Amarelar-se-ia.
E os muros altos?
-Quebrados
-Demolidos
Estardalhaço!
Pelo olhar que amou
-Estimou
-Assustou
Estremeceu
Reviveu
Em flores rosas, violetas
Margaridas,
Coloridas
E o céu pintou-se azul
E o jardim
Floresceu.
Rossana F. Refosco
Imagem: Jardim com Flores; Van Gogh; 1853-1890.
Aos poucos jazia
A folha antes verde,
Amarelar-se-ia.
E os muros altos?
-Quebrados
-Demolidos
Estardalhaço!
Pelo olhar que amou
-Estimou
-Assustou
Estremeceu
Reviveu
Em flores rosas, violetas
Margaridas,
Coloridas
E o céu pintou-se azul
E o jardim
Floresceu.
Rossana F. Refosco
Imagem: Jardim com Flores; Van Gogh; 1853-1890.
5 de janeiro de 2016
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