24 de dezembro de 2016

Os mortos vivos e o natal

Lá fora está cheio de mortos e aqui dentro há ainda alguns; alguns que ainda não decidiram o que são.
Mortos vivos: é o que eles são.
Egoístas, Maus, traidores, mentirosos.
Parecem gente como a gente, mas não o são. Visam apenas a si mesmos e matam seus semelhantes por causa de seus objetos.
Alguns não são maus, mas são indiferentes, o que é quase o mesmo.
A cidade está repleta dessa gente, mas gente que não é gente; Gente que não é humana.
Não haverá natal enquanto não optarmos pela justiça e honestidade; enquanto nos calarmos diante da injustiça ou omitirmos a verdade.
Não haverá natal enquanto escolhermos as mentiras à verdade.
Não haverá natal enquanto os maridos traírem suas mulheres.
Não haverá natal enquanto não entendermos que a lei é desnecessária quando há amor.
Não haverá natal, enquanto nossa esperança estiver apenas nas pessoas, nas coisas ou projetos políticos.
Não haverá natal enquanto eu julgar alguém pela aparência ou pelo que não possui ou possui.
Não haverá natal se a fome do outro não molhar meu rosto, se a dor do outro não me doer.
Não haverá natal para os vivos que estão mortos.
Não haverá natal enquanto estiver andando sem direção.
Não haverá natal enquanto a minha frustração me fizer machucar mais pessoas, enquanto eu não quebrar o ciclo da maldade e do ódio com o bem.
Não haverá natal se eu preferir ficar assentado no meu lugar de direito enquanto alguém mais velho está em pé.
Não haverá natal enquanto eu esperar que os outros sejam bons antes de mim.
Não haverá natal enquanto os sobreviventes não estiverem juntos, lutando juntos ou até morrendo, mas JUNTOS.
Os mortos estão lá, estão cá, estão por toda parte.
Os mortos se alimentam dos vivos.
Os mortos se alimentam das lágrimas dos que sobreviveram, porque causam revolta e se cada um dos vivos se revoltam, caminharão para a morte.
Não haverá natal enquanto eu não considerar a minha vida e todas as vidas preciosas.
Não haverá natal enquanto o amor estiver escasso.
Os mortos estão por toda parte, estão ao nosso lado; no trabalho, em nossa casa, na igreja, nos shoppings, nos metrôs, ônibus. Eles estão perto, por vezes disfarçados de vivos, mas vivendo como zumbis, para destruir.
Nós somos sobreviventes. Sobreviventes amam pessoas e não coisas.
Para os sobreviventes há natal todos os dias.
Para os sobreviventes, não importa o tamanho do risco que se corre, desde que não morramos vivos;
Eles se alimentam de ódio, a maldade e criam contenda entre irmãos. Os sobreviventes amam e se protegem, acima de tudo. Os sobreviventes não se iludem com o dinheiro ou com aplausos. Para os sobreviventes, há ceia diária, há natal cada vez que fazemos o bem sem nos cansarmos.
Os sobreviventes sabem que precisam "morrer" todos os dias para que haja a esperança do NATAL.
E o natal dos sobreviventes é um convite aos mortos a abandonarem a mentira, a maldade, a traição, omissão, a indiferença e o amor fingido...
Porque sempre é possível MUDAR.
É um convite para que se arrependam porque APENAS os arrependidos sobreviverão, mesmo que seus corpos se acabem, viverão para sempre, porque o amor é eterno, e somos sobreviventes,porque ele ainda nos resta, então para nós é natal, porque Cristo está em nós. Cristo nasce em nós cada vez que escolhemos amar e perdoar.
Aos vivos: continuem sobrevivendo juntos, se protegendo.
Aos mortos: sejam como nós.
À todos, um natal que seja real.
Rossana F. Refosco

Num raio de sol

No sol, na manhã Areia do mar Me assentava esperando você Dourado o chão Toda luz em mim Entre o som das ondas A sua voz E no fechar dos o...