28 de fevereiro de 2015

Canção do cego

Uma folha, lapis, violão
Coração na mão
O cego, a canção
Pode ver...

A monografia toda rasgada
Rasura intensa
Rabiscada
Não pode consertar

O coração
Não aprendeu amar

O que ama a vida
Encontra o amor
Recíprocura e encontra
O que nunca perdeu

E o faz seguido
Pelo passo que é o mesmo
no caminhar
Seja ao jardim
ou à Amar

De amante
da própria vida
Às vezes faz bem
olhar pra atrás.

Imagem: Francisco de Goya, Saturno devorando a su hijo (1819-1823)

28/01/2015

Rossana F. Refosco

21 de fevereiro de 2015

Outubro escuro



Sadicamente afiavas
Pontiaguda lança
A sepultar minh'alma.



Rossana F. Refosco

Cândido Portinari (1903 - 1962) Menino morto.

20 de fevereiro de 2015

A contemplação


O menininho
Parou tudo, olhando o voo
Da borboleta


Cândido Portinari, 1940, Futebol.

Rossana F. Refosco

19 de fevereiro de 2015

Balas e confetes


Balas não removem
As balas de revólver
Transpassadas ao peito.

14/02/2015

Rossana F. Refosco


The Old Guitarist, 1903 by Pablo Picasso.

Da máscara

Amor, paixão e verdade
Transformar-se podem
Em traição, mentira e Deslealdade?

Rossana F. Refosco

Imagem: Edward James;René Magritte; 1937

Belzebu

Nunca havia visto
A Bela borboleta
Em lagarta transmutar-se.

Rossana F. Refosco

Imagem: Ivan IV; Ivan, o terrível e o seu filho; 1530

Sobre o amor

Não existe um investimento seguro. Amar é ser vulnerável. Ame qualquer coisa e seu coração irá certamente ser espremido e possivelmente partido. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, não deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em passatempos e pequenos confortos, evite todos os envolvimentos, feche-o com segurança no esquife ou no caixão do seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sombrio, imóvel, sufocante – ele irá mudar. Não será quebrado, mas vai tornar-se inquebrável, impenetrável, irredimível. A alternativa para a tragédia, ou pelo menos para o risco da tragédia é a danação.
O único lugar fora do céu onde você pode manter-se perfeitamente seguro contra todos os perigos e perturbações do amor é o inferno.

C. S. Lewis em “Os Quatro Amores”



Faith - Hope - Love

(Texto copiado do blog de um grande amigo: Davy Alves)

Rossana F. Refosco

13 de fevereiro de 2015

Do equilíbrio

Não são as quedas
das bicicletas
que fixam o pedalar?

Rossana F. Refosco

Imagem: Pablo Picasso;Jovem equilibrista sobre a bola; 1905

O porre


Às costas do riso
Ébria mente,
Dioniso.


Rossana F. Refosco


rff. Signed Georges Braque Etching Aquatint, Teapot and Grape, 1950

12 de fevereiro de 2015

Ácido de Azevedo

Subestima o belo verso,
Tão vazio de verdades,
o meu lirismo?

Rossana F. Refosco

Imagem: Caravaggio; Narcisius;1599.

Contagem dos mortos²

Perdi as contas das vezes
Que olho ao espelho, chorando:
"Meu Deus!"


Rossana F. Refosco

Imagem: Géricault; 1791 - 1824

A avidez

Quem dera fosse o amor
Um vapor d'agua
Esvanecido.

Rossana F. Refosco
Imagem:Pablo Picasso; Velho judeu com um menino; 1903

11 de fevereiro de 2015

Sobre a dor e a dó

Ah!
Se pudesses ouvir-me,
Na talha...
Não acreditarias em contos.
Deveras estás, como eu,
Cega, iludida, envolvida;
Bem queria te proteger
Da dor que me dói
Desta, que nem pra ti
Desejo.

Rossana F. Refosco

Imagem: Caravaggio; A incredulidade de s. Tomé; 1601;

A farsa

Já amaste
Com toda força d'alma
Alguém que nunca existiu?

Rossana F. Refosco
Imagem: Rembrandt;Titus at his desk;1655.

9 de fevereiro de 2015

Esconderijo 2

O barulho d'agua corrente
silencia
O choro excessivo

Rossana F. Refosco

Imagem: Homem Velho com a Cabeça em Suas Mãos; Vincent van Gogh; 1890

Esconderijo

No recanto do meu choro,
o chuveiro
As águas se misturam.

Rossana F. Refosco

Imagem: Sorrow; Vincent van Gogh; 1882–1882

8 de fevereiro de 2015

do desapego

As freiras e as putas
têm minha admiração
Ambas mantêm o desapego.


Rossana F. Refosco

Imagem:James McNeill Whistler; A Mãe do artista; 1871

4 de fevereiro de 2015

Da dor

Esquartejaram-me.
E não morri.
Sinto dor em cada pedaço de mim.






Rossana F. Refosco

Imagem: Retrato do Dr. Gachet, de Vincent Van Gogh, 1890;

Num raio de sol

No sol, na manhã Areia do mar Me assentava esperando você Dourado o chão Toda luz em mim Entre o som das ondas A sua voz E no fechar dos o...