6 de janeiro de 2019

Temporal

"Junto aos rios da Babilônia, ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião.
Sobre os salgueiros que há no meio dela, penduramos as nossas harpas.
Pois lá aqueles que nos levaram cativos nos pediam uma canção; e os que nos destruíram, que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos uma das canções de Sião".
Salmos 137:1-3

Eu não fiz planos para pendurar a minha harpa e encostar-me num recanto qualquer.
Mas quando vem um temporal, os guarda-chuvas não conseguem deter os ventos.
E quando nessa ventania não se encontra nenhum abrigo, nos resta sentarmos ensopados mesmo em algum lugar e esperar...
Esperar sem saber quanto tempo ficaremos molhados, esperar sem pensar que o sol poderá se esconder; esperar sem lembrar que um resfriado poderá nos sobrevir ou mesmo sem imaginar se sobreviveremos.
Não sei se breve ou tarde, mas chegará o dia em que passarei um pano na minha velha harpa mofada e a tocarei sob os quentes raios do sol!
Sim! Este mesmo sol que secará as minhas vestes, anunciando que um novo dia chegou.
E, enquanto ele não vem, vou descobrir um jeito de, mesmo com as gotas da chuva escorrendo sobre o meu rosto e encharcando os meus cabelos, lembrar do sol e parar de olhar para estas nuvens carregadas de água que estão em minha frente.


31/12/2018


Rossana F. Refosco

Sozinha

Castanhas, pistaches, frutas secas, panetones, presentes e comidas diversas: arroz (com as odiadas e excluídas uvas passas) Chester, tender... apesar de tradicional, juro que ouço as mesmas perguntas todo ano!
O Chester é a galinha ou o porco?
Eu penso que chester devia ser o porco, porque aquele frango grande a gente come o filhote todo dia e chamamos galinha. Mas deixa estar, é muita tradição pra polemizar.
Enfim até os nomes são apetitosos e sabe-se lá por quê...
Não quero ser uma observadora chata mais um ano ( já sendo) por isso me fartei do “melhor” dessa festa.
E, de fato, foi maravilhoso o jantar natalino.
Jesus?!?
Não sei porque eu não consigo pensar nEle neste dia!
Eu me esforço demais e depois acho que senti-lo é sentir a sua leveza. Aí desisto e vou comer com a galera.
Eu não vejo Jesus na fartura, vejo na fome. Não vejo Cristo na árvore de Natal repleta de enfeites, vejo numa raiz que cresce mesmo no meio de um chão rachado...
Confesso que às vezes me acho idiota (sempre).
E penso: que mania de pobre do caramba! Essa gente que usa anel de tucum é assim! Juro que não sou comunista!
Aí olho pro meu dedo esquerdo com o anel preto e respondo: eu vou ficar em casa mesmo, queria ficar sozinha!
Mas ninguém entende que é quando entro em meu quarto e fecho a porta que faz sentido o Natal.

26.12.2019

Rossana F. Refosco

Num raio de sol

No sol, na manhã Areia do mar Me assentava esperando você Dourado o chão Toda luz em mim Entre o som das ondas A sua voz E no fechar dos o...