30 de outubro de 2018

A morte de Deus

Rio, 29 de Outubro de 2018

Me vesti de preto.
E meu humor acompanhou o gueto
A sensação de medo me acendeu no peito.

Porque ontem, um pouco eu morri.

E a esperança se esvaiu repentina
A desgraça sussurrou numa rima
E a verdade que agora alucina
A Palavra matando um travesti

A generosidade que me cercava se deu por sumida
Vi pessoas outrora boas, más ou omissas.
Não merecendo que me pusesse em pé para que se sentassem
Nem que eu dissesse que tinha fé pra que esperançassem.

Porque estou só.

E morro cada dia um pouco
A injustiça deixa o povo louco
Fartando a mesa do povo rico
O que sobeja-lhes vira lixo

E, assaltada, querendo nada, fico a chorar
Sob os tetos-telhados, na casa sem chão a lamentar
Imundos ossos finos, olhos fundos,
Ouço zumbidos da dor do meu mundo

Os índios bem fracos ficando mais mudos
A fé ignorando o absurdo
E Deus mendigando na porta da Igreja
Dois homens armados, bebendo cerveja
Invadem Sua casa e Lhe tira a vida.

Rossana F. Refosco

Num raio de sol

No sol, na manhã Areia do mar Me assentava esperando você Dourado o chão Toda luz em mim Entre o som das ondas A sua voz E no fechar dos o...