Esbranquiçado, de olhos verdinhos
Abstrato o amor não é
O abraço meu esconde inteirinho
E o beijo segue do cabelo aos pés
Mesmo ao choro, arranco um riso
Quando insisto em te ver sorrir
De palhacinha até me visto
Com um desenho pra colorir
Contigo o tempo não passa
Avantajamos cada segundo
Sua infância, papel e massa;
Eternizando o nosso mundo
Trouxeste-me, pequeno, a vida
E o sentido meu em ti está
Qualquer pequeno sorriso teu, a lida
Parece leve; amor maior não há.
Rossana F. Refosco
Imagem: Pipas, Portinari; 1941
"Eu tentarei tocar o mundo como Você tocou a minha vida. Eu quero ser Tuas mãos, eu quero ser Teus pés. Eu irei aonde Você me mandar". A.A.
19 de junho de 2015
11 de junho de 2015
Nostalgia
Admirável homem,
Era Deus
A beleza que em ti havia.
Rossana F. Refosco
Imagem: Jacques-Louis David; “La Morte di Marat”; 1793.
Era Deus
A beleza que em ti havia.
Rossana F. Refosco
Imagem: Jacques-Louis David; “La Morte di Marat”; 1793.
10 de junho de 2015
O divã de Saramago
Desde os 13 anos, com certa frequência, separo alguns minutos do meu dia para reflexões sobre Deus, o auto-conhecimento, o conhecimento transcendente, a Teologia, a Ética e para analisar alguns padrões de comportamento dos quais devo buscar ou fugir.
Isso, claro, veio recebendo roupagens novas e profundidade a cada experiência;
Estou, ainda imatura, aos 29 anos, me deleitando em minha própria existência e saboreando estes meus vícios bem ditos.
Confesso que se a vida me deixasse, investiria mais tempo em poesia, livros, música, quadros, museus e tudo de mais genuinamente belo que possa existir...
Hoje, então dediquei pouco mais de 60 minutos a um grande escritor.
Alguns autores me colocam numa espécie de divã, não diferente do tradicional; aquele lugar confortabilíssimo, onde quem deita é quem fala;
O império austríaco me castraria se soubessem disso, mas sempre preferi Castro Alves à Sigmund Freud.
No entanto, Saramago, deitou-se no divã e narrou-me uma angústia em comum.
Quebrei todas as regras terapêuticas possíveis e comecei a chorar;
Sem setting terapêutico; sem contratransferência e sem profissionalidade alguma, pelo menos para os terapeutas ortodoxos;
Restou-me a aceitação incondicional, empatia, autenticidade e congruência.
Não sendo eu tão inábil assim para uma abordagem mais humanista.
E ele, pôs-se a me contar de seu (aliás, de nosso) desconsolo:
"O instinto serve melhor aos animais do que a razão à nossa espécie".
Imediatamente visualizo um predador e a sua caça.
- O que um predador busca, Saramago?
-A vida. A defesa de sua existência. A sobrevivência. O alimento.
O animal não tortura, ele não é cruel, não é mau. O homem sim.
Este ser racional sabe dar desprezo e ser indiferente;
Sabe mentir e ser infiel, visando o próprio bem estar;
Sabe ferir sem ao menos ter em mãos uma lança;
E tem capacidade para camuflar seu rancor em doçura;
Uma pessoa se torna má quando pensa que todos os meios são bons para alcançar o que se quer.
O homem sustenta mentiras com poesias; Mascara maldade com discurso de amor; Frauda sonhos com lágrimas postiças;
E manipula frio e calculista até aonde quer chegar;
Só o homem mau e sem ética mantém em seu esconderijo bondoso a traição;
O homem é racional porque escolhe ser mau;
Saramago me olha e cala ao ouvir:
"Até a próxima sessão";
Rossana F. Refosco
Imagem: Retrato de Maria, de Cândido Portinari. 1931;
SARAMAGO, José. "A irracionalidade racional" - in 'Diálogos com José Saramago'
10 de junho 2015: http://www.citador.pt/textos/a-racionalidade-irracional-jose-de-sousa-saramago
Isso, claro, veio recebendo roupagens novas e profundidade a cada experiência;
Estou, ainda imatura, aos 29 anos, me deleitando em minha própria existência e saboreando estes meus vícios bem ditos.
Confesso que se a vida me deixasse, investiria mais tempo em poesia, livros, música, quadros, museus e tudo de mais genuinamente belo que possa existir...
Hoje, então dediquei pouco mais de 60 minutos a um grande escritor.
Alguns autores me colocam numa espécie de divã, não diferente do tradicional; aquele lugar confortabilíssimo, onde quem deita é quem fala;
O império austríaco me castraria se soubessem disso, mas sempre preferi Castro Alves à Sigmund Freud.
No entanto, Saramago, deitou-se no divã e narrou-me uma angústia em comum.
Quebrei todas as regras terapêuticas possíveis e comecei a chorar;
Sem setting terapêutico; sem contratransferência e sem profissionalidade alguma, pelo menos para os terapeutas ortodoxos;
Restou-me a aceitação incondicional, empatia, autenticidade e congruência.
Não sendo eu tão inábil assim para uma abordagem mais humanista.
E ele, pôs-se a me contar de seu (aliás, de nosso) desconsolo:
"O instinto serve melhor aos animais do que a razão à nossa espécie".
Imediatamente visualizo um predador e a sua caça.
- O que um predador busca, Saramago?
-A vida. A defesa de sua existência. A sobrevivência. O alimento.
O animal não tortura, ele não é cruel, não é mau. O homem sim.
Este ser racional sabe dar desprezo e ser indiferente;
Sabe mentir e ser infiel, visando o próprio bem estar;
Sabe ferir sem ao menos ter em mãos uma lança;
E tem capacidade para camuflar seu rancor em doçura;
Uma pessoa se torna má quando pensa que todos os meios são bons para alcançar o que se quer.
O homem sustenta mentiras com poesias; Mascara maldade com discurso de amor; Frauda sonhos com lágrimas postiças;
E manipula frio e calculista até aonde quer chegar;
Só o homem mau e sem ética mantém em seu esconderijo bondoso a traição;
O homem é racional porque escolhe ser mau;
Saramago me olha e cala ao ouvir:
"Até a próxima sessão";
Rossana F. Refosco
Imagem: Retrato de Maria, de Cândido Portinari. 1931;
SARAMAGO, José. "A irracionalidade racional" - in 'Diálogos com José Saramago'
10 de junho 2015: http://www.citador.pt/textos/a-racionalidade-irracional-jose-de-sousa-saramago
29 de maio de 2015
Pássaro
Com as asas a bater
Distante espio o teu voar
Hílare liberdade
Rossana F. Refosco
Imagem: Théodore Géricault; O beijo; 1822.
Distante espio o teu voar
Hílare liberdade
Rossana F. Refosco
Imagem: Théodore Géricault; O beijo; 1822.
20 de maio de 2015
Vida e poesia
De cada sentido, um poema;
À existência, uma rosa;
Meu verso e reverso em prosa.
Rossana F. Refosco
Imagem: Pablo Picasso; The Weeping Woman; 1937
À existência, uma rosa;
Meu verso e reverso em prosa.
Rossana F. Refosco
Imagem: Pablo Picasso; The Weeping Woman; 1937
19 de maio de 2015
Indagação
Tiveste tantas mulheres
Vistosas, belas, célebres
O que de mim queres?
Rossana F. Refosco
imagem: As senhoritas de Avignon”; Picasso; 1907
Vistosas, belas, célebres
O que de mim queres?
Rossana F. Refosco
imagem: As senhoritas de Avignon”; Picasso; 1907
14 de maio de 2015
Da maçã
Perto
Ao certo
Pra atravessar;
Longe
Aonde?
Esconde
Pra olhar;
Maduro
Seguro
Conjuro?
Empurro
Pra lá;
Anelo
Singelo
Apelo
o elo?
(...)
Pra cá
Tão cedo
Insistes assim em ficar?
Rossana F. Refosco
Imagem: Théodore Géricault; Torse d'homme de profil, le bras droit levé; 1812;
Ao certo
Pra atravessar;
Longe
Aonde?
Esconde
Pra olhar;
Maduro
Seguro
Conjuro?
Empurro
Pra lá;
Anelo
Singelo
Apelo
o elo?
(...)
Pra cá
Tão cedo
Insistes assim em ficar?
Rossana F. Refosco
Imagem: Théodore Géricault; Torse d'homme de profil, le bras droit levé; 1812;
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No sol, na manhã Areia do mar Me assentava esperando você Dourado o chão Toda luz em mim Entre o som das ondas A sua voz E no fechar dos o...
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