10 de julho de 2015

Do trago

Esperança expectorada
Ares novos
Trago aos meus pulmões

Rossana F. Refosco

Imagem: Starry Night, de Vincent Van Gogh, 1889.

7 de julho de 2015

Do credo




As palavras

não me convencem.

Rossana F. Refosco


Imagem: O Beijo, de Gustav Klimt, 1909.

19 de junho de 2015

Àquele que é amado

Esbranquiçado, de olhos verdinhos
Abstrato o amor não é
O abraço meu esconde inteirinho
E o beijo segue do cabelo aos pés

Mesmo ao choro, arranco um riso
Quando insisto em te ver sorrir
De palhacinha até me visto
Com um desenho pra colorir

Contigo o tempo não passa
Avantajamos cada segundo
Sua infância, papel e massa;
Eternizando o nosso mundo

Trouxeste-me, pequeno, a vida
E o sentido meu em ti está
Qualquer pequeno sorriso teu, a lida
Parece leve; amor maior não há.


Rossana F. Refosco

Imagem: Pipas, Portinari; 1941

11 de junho de 2015

Nostalgia

Admirável homem,
Era Deus
A beleza que em ti havia.

Rossana F. Refosco



Imagem: Jacques-Louis David; “La Morte di Marat”; 1793.

10 de junho de 2015

O divã de Saramago

Desde os 13 anos, com certa frequência, separo alguns minutos do meu dia para reflexões sobre Deus, o auto-conhecimento, o conhecimento transcendente, a Teologia, a Ética e para analisar alguns padrões de comportamento dos quais devo buscar ou fugir.
Isso, claro, veio recebendo roupagens novas e profundidade a cada experiência;
Estou, ainda imatura, aos 29 anos, me deleitando em minha própria existência e saboreando estes meus vícios bem ditos.
Confesso que se a vida me deixasse, investiria mais tempo em poesia, livros, música, quadros, museus e tudo de mais genuinamente belo que possa existir...
Hoje, então dediquei pouco mais de 60 minutos a um grande escritor.
Alguns autores me colocam numa espécie de divã, não diferente do tradicional; aquele lugar confortabilíssimo, onde quem deita é quem fala;
O império austríaco me castraria se soubessem disso, mas sempre preferi Castro Alves à Sigmund Freud.
No entanto, Saramago, deitou-se no divã e narrou-me uma angústia em comum.
Quebrei todas as regras terapêuticas possíveis e comecei a chorar;
Sem setting terapêutico; sem contratransferência e sem profissionalidade alguma, pelo menos para os terapeutas ortodoxos;
Restou-me a aceitação incondicional, empatia, autenticidade e congruência.
Não sendo eu tão inábil assim para uma abordagem mais humanista.
E ele, pôs-se a me contar de seu (aliás, de nosso) desconsolo:
"O instinto serve melhor aos animais do que a razão à nossa espécie".
Imediatamente visualizo um predador e a sua caça.
- O que um predador busca, Saramago?
-A vida. A defesa de sua existência. A sobrevivência. O alimento.
O animal não tortura, ele não é cruel, não é mau. O homem sim.
Este ser racional sabe dar desprezo e ser indiferente;
Sabe mentir e ser infiel, visando o próprio bem estar;
Sabe ferir sem ao menos ter em mãos uma lança;
E tem capacidade para camuflar seu rancor em doçura;
Uma pessoa se torna má quando pensa que todos os meios são bons para alcançar o que se quer.
O homem sustenta mentiras com poesias; Mascara maldade com discurso de amor; Frauda sonhos com lágrimas postiças;
E manipula frio e calculista até aonde quer chegar;
Só o homem mau e sem ética mantém em seu esconderijo bondoso a traição;
O homem é racional porque escolhe ser mau;
Saramago me olha e cala ao ouvir:

"Até a próxima sessão";






Rossana F. Refosco


Imagem: Retrato de Maria, de Cândido Portinari. 1931;
SARAMAGO, José. "A irracionalidade racional" - in 'Diálogos com José Saramago'
10 de junho 2015: http://www.citador.pt/textos/a-racionalidade-irracional-jose-de-sousa-saramago

29 de maio de 2015

Pássaro

Com as asas a bater
Distante espio o teu voar
Hílare liberdade

Rossana F. Refosco

Imagem: Théodore Géricault; O beijo; 1822.

20 de maio de 2015

Vida e poesia

De cada sentido, um poema;
À existência, uma rosa;
Meu verso e reverso em prosa.

Rossana F. Refosco

Imagem: Pablo Picasso; The Weeping Woman; 1937

Num raio de sol

No sol, na manhã Areia do mar Me assentava esperando você Dourado o chão Toda luz em mim Entre o som das ondas A sua voz E no fechar dos o...