20 de outubro de 2015

Ode ao poeta

Sob a mesa, chão.
Mesa e papel
Sob a mão.
Arte e pincel.
Ao lápis, riscos
Pensamentos ábditos
Condolências e pêsames
Insolência aos infames
Versos, entrelinha
Espaços em branco,
Sem linha
A minha
A vagar no rascunho
Dolorindo o punho
Correndo de vagar
Alma, borrão, poesias
Desloca-se o poeta
À veleja de seus dias.

Rossana F. Refosco

O poeta

Beleza faz poesia
A poesia, o poeta.
Qual, como eu,
Não escreve com as mãos.

Rossana F. Refosco

13 de outubro de 2015

1 de outubro de 2015

Anuário de primaveras

Outubro de 2014 ela era a mulher mais feliz do mundo.
Como num lindo sonho, planejava ficar pra sempre com o homem de sua vida.
Nunca houvera amado de verdade.
Sonhava em matar a saudade pra sempre.
Sonhava em cessar o choro às suas despedidas.
Sonhava em não haver milhões de quilômetros separando-lhes.
Sonhava em amá-lo e cuidá-lo por longos anos.
Eles não tinham nada, ela não se importava;
Seria difícil, mas seria com ele.
Em outubro, sem que soubesse, ela já não o tinha; ele já não era mais seu.
Em outubro, ele se foi e, sem nada a dizer, permaneceu [...]
A vida dela por completo estava ali, na garagem de sua casa, mas ele já não o era.
Duvidei que ela fosse superar;
Mas ela, saíra-se bem.
Sente-se uma felina.
É outubro, 2015, ela nunca imaginou que pudesse estar tão feliz sem ele.
Ela percebe que é a mesma, que não está feliz, ela é feliz.
Escreve como algo que marcou, profunda e positivamente.
E, como diria Schopenhauer:"Quem pode erguer sobre as montanhas e depois calar-se?"
Apreende-se que você sempre é mais feliz quando sobrepuja seus próprios limites.


Rossana F. Refosco

Imagem: Viajante Sobre o Mar de Névoa; Caspar David Friedrich; 1818;

24 de setembro de 2015

Num raio de sol

No sol, na manhã Areia do mar Me assentava esperando você Dourado o chão Toda luz em mim Entre o som das ondas A sua voz E no fechar dos o...