26 de março de 2015

Impacto invisível

Com um título suavemente adverso, Yancey consegue reafirmar as razões pelas quais nossa relação é tão cheia de critérios, todavia confesso que o desfecho de suas palavras sempre me encanta;
O impacto acontece para Yancey, da mesma forma que para Confúcio.
O Filósofo chinês da era antiga, foi e ainda é inspiração para muitos pensadores e para os pobres mortais, como eu;
Mesmo assim, declaro-lhe mestre, cujos analectos considero além de um amplo sistema ético, um cânon.
Diante da leitura sobre a noção de impacto de Yancey, imediatamente transportei-me a Confúcio, que acredita que o exemplo é capaz de mudar a sociedade.
Para ele, "A sinceridade torna-se visível. Sendo visível, torna-se manifesta. Sendo manifesta,torna-se brilhante. Afetando outros, eles são modificados por ela. Modificados por ela, são transformados. Apenas aquele que é possuído pela mais completa sinceridade existente sob o céu pode transformar".(BUCKINGHAM et al, 2011; p.38)
Ao contrário de Confúcio, que não menciona sua relação com a divindade, Yancey revela que ser participante do sofrimento de Cristo, assim como a vida virtuosa (fidelidade e sinceridade) para Confúcio, produz um impacto e transformação.
Philip Yancey afirma que a plenitude do impacto que nossas ações causam na vida dos outros são invisíveis, quando declara que "Nós nunca saberemos, nesta vida, o significado pleno de nossas ações aqui, pois muitas coisas invisíveis acontecem conosco. Quando um pastor num país opressor vai para a prisão devido a seu protesto pacífico; quando uma assistente social se muda para um gueto urbano; quando um casal se recusa a desistir de um casamento difícil; (...) quando um jovem profissional resiste a crescentes tentações envolvendo riqueza e sucesso - em todos esses sofrimentos, grandes ou pequenos, existe a garantia de um nível mais profundo de significado, de uma participação na vitória redentora de Cristo".
A questão não é se os nossos atos são visíveis ou invisíveis; menos ainda se seguimos o discurso de Confúcio ou de Cristo; A verdade é que há guerras que são vencidas apenas pelo fato de lutar até que o inimigo desista.
Não pretendo, contudo, expor uma construção dialética, visto que estes pensamentos se cruzam numa idéia única de constituir um ser humano virtuoso e transformador, sujeito repleto de amor e, diria Frankl, de sentido; diria João, de Deus.
Desejo, para tanto, acender uma vela na escuridão, até que o sol não brilhe.



Imagem: Cândido Portinari, Brodowisk, 1942
Rossana F. Refosco

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