"Eu tentarei tocar o mundo como Você tocou a minha vida. Eu quero ser Tuas mãos, eu quero ser Teus pés. Eu irei aonde Você me mandar". A.A.
27 de abril de 2015
Sobre o perdão e sua sublimidade...
Ao menos tenho uma segurança: O teu amor!
Mas confesso que o fato de ter "perdido" o controle de "minhas" coisas, mexeu um pouco com minhas expectativas.
E aqui estou; aqui continuo; aos Teus pés, porque você é o meu combustível.
Então, estão bem aqui as minhas inquietações e, uma só pergunta: Ainda posso ter esperança?
Estou atenta às respostas, mas pensando se elas virão.
Sabe, Pai, sinto-me bem melhor depois de tudo...
Experimentei o perdão bem de pertinho, aliás, bem de dentro...
Entendo melhor o por quê de Cristo vir aqui e viver o amor...
Entendo bem melhor o por quê você ensinou a perdoar.
Experiência sem igual!
Sem igual tanto, quanto posso afirmar ter valido à pena tudo!
Isso é liberdade!
Obrigada.
É bom saber que podes estar em mim de verdade.
É confortante experimentar a possibilidade de te refletir!
E, de fato, só você pode perdoar.
Obrigada, obrigada, obrigada...
Mil vezes, obrigada!
Não pensei que seria possível olhar com teus olhos; sempre lutei tanto a favor disso!
Não que eu possa me enfatuar; sei exatamente quem sou e quem és...
Somos dois extremos.
Sei precisamente quando é você e quando sou eu.
E isso tem a ver com você e não comigo, porque nossa diferença é gritante;
Mas, olhar com os teus olhos...
Posso tentar descrever:
Parece que você sempre tem uma resposta pra quem quer que seja.
Ter uma resposta é acrescentar um sorriso ao dia; é inflamar a esperança moribunda; e, mais que isso, é ser a esperança; é fazer nascer no outro coração um bocadinho de paz; e, sem intenção alguma, fazer-se perceber que Deus é mais pessoal do que se imagina; e que o mundo...
ahh! Que bom que o mundo não está tão perdido assim...
Que ainda é vivo, parco, mas vivo, o amor.
Reconheço os meses que passei sem esperança e, sou deveras agradecida, pelas minúcias de cada sensação de desalento que me alcançou.
Porque me assegurei demais de minha escolha e de que, certamente, nunca mais seria vítima de deslealdade, por causa de ter escolhido viver com a melhor pessoa do mundo.
Estava certa de que se o mundo todo falhasse, ele não falharia; não comigo.
Errei.
Não há um justo sequer. Era muita responsabilidade para um homo sapiens.
Não há justos, há responsáveis!
Responsáveis por causar sofrimento, dor!
Responsáveis por tornar o mundo pior, ou melhor!
Findei meu tirocínio assim, ansiando ser e fazer o mundo melhor.
Querendo amar tanto quanto me desamaram; levar alegria tanto quanto me causaram dor; ser fiel tanto quanto fui traída.
Ser responsável, sem peso algum, por levar amavelmente, a esperança aonde quer que eu vá, pois certamente haverá alguém, tão desesperado por ela quanto eu.
Dizes-me agora se há esperança, pois, se perguntares, direi: estou aqui!
Rossana F. Refosco
Imagem: Cândido Portinari, "Menino com carneiro", pintado em 1954
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