28 de junho de 2017

Pelo bem da autoestima

Ele era nosso primeiro filho, tinha uma risada contagiante. À medida que ele crescia, ficava mais isolado, não gostava de muita gente por perto, nem de muito barulho. Eu sabia que uma hora ele seria uma vitima. Ele nunca foi muito atlético; na educação física era sempre o último a ser escolhido, ninguém o queria no time porque diziam que ele era esquisito, que era uma bicha e ninguém queria brincar com ele. No início ele chorava, mas depois não chorava mais, assim ficou difícil saber o que ele estava passando. Nos últimos dias, ficamos sabendo que enfiaram a cabeça dele num armário de parede e as pessoas mandaram ele se enforcar porque ele era inútil. Eu acho que ele chegou ao limite, ele não aguentou mais. Eu ainda acho que ele vai passar por aquela porta; mas eu sei que ele não vai. Se o céu existe, eu sei que meu filho está lá e só o que me resta é ter fé que um dia o verei novamente”. Tyler Lee Long, foi encontrado no próprio quarto, enforcado. Nascido em 25 de Abril de 1992, falecido em 17 de outubro de 2009, com 17 anos.
A depressão grave é para o suicídio o que a baixa autoestima é para a depressão. A baixa autoestima pode ser considerada a gênese de todo transtorno e está em primeiro lugar no grupo de fatores etiológicos da depressão. Por isso, decidi abordar este tema.
A autoestima diz respeito ao sentimento, apreço e consideração que uma pessoa tem por si mesma; Ela é conseqüência do autoconceito, que é formado a partir das nossas experiências sociais; Sendo assim, torna-se produto da fração entre o êxito percebido e suas pretensões,. Quando o êxito percebido é igual ao que acredita que é o ideal, ele é reforçado, mas diminui quando as aspirações são maiores que o sucesso obtido;
Os sucessos e fracassos, belezas e feiuras, alegrias e tristezas, potencialidades e incapacidades fazem parte da realidade antagônica de todo indivíduo.
Ninguém é todo perfeito, ninguém é só virtude, ninguém é só defeito.
Mas por mais consciência que tenha de minhas virtudes, olhando-me ao espelho, o que vejo?
O reflexo que vejo determina os meus sentimentos, pensamentos e comportamentos no mundo.
Era aniversário de Davi e apesar de eu adorar uma rasteirinha, ou um sapatinho baixo, fui trabalhar com uma roupinha melhor e um saltinho, afinal, ou eu voltava pra casa pra trocar de roupa ou eu trabalharia na ornamentação da festinha, que fora planejada com tanto amor...
Pra onde essa menina vai com esta roupa? Perguntou sarcasticamente a minha ex chefe, rindo em demasia da menina (eu) que acabara de sair de sua sala, ainda ouvindo os risos e gargalhadas dela e das subordinadas, enquanto caminhava pelo corredor. Eu sabia que se tratava de mim, mas eu só pensava em como meu filho ficaria feliz com aquela festa, depois, gostei de ouvir aquilo, ao menos questionei a mim mesma: se eu estivesse no lugar delas, eu estaria rindo? Será que eu riria só por educação?
Duas questões me ocorrem diante do discurso deste pai e desta pequena lembrança: primeiro, qual é a medida da minha crueldade comigo mesma? Em seguida, quão cruel eu tenho sido com os outros?
Curtam aí, pelo bem da autoestima!
Rossana F. Refosco

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