5 de fevereiro de 2018

Soneto efêmero

Ao menos hoje te quero
E hei de em meu pensamento encontrar
Um olhar confuso e austero
Sem dizer onde, como e por que ficar

Que vês em mim, amigo terno
Que vens com mapa e mistério a revelar?
Que vês no teu inferno?
Desconfiança do que me faz te desejar

Bem queria que não tivesses nada
Além desse seu olhar desconcertante
Que viesses a mim apenas com'alma

Que a deixasse ver-me atentamente por um instante
Que se admirasse na minha entrega descamada
E se aconchegasse, ao menos hoje, em meu ser amante



Rossana F. Refosco

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