30 de novembro de 2018

A macieira

Ouvi falar a história de dois meninos
Um se chamava Dudu, o outro Chico
Eles foram criados juntos, bem unidos
Eram muito amigos até pagando mico

Tinham a mesma idade e eram vizinhos
Desde que tinham dois anos se conheciam
Brincavam sem parar, nunca andavam sozinhos
Eram felizes e todos bem percebiam

Uma vez o avô do Dudu comprou umas sementes
Então chamou o netinho como era frequente
-Dudu, venha cá, vamos plantar uma macieira?
-Vovô, espere um minuto, Chico está de bobeira

Então saiu correndo e chamou o amigo
Pra plantar a macieira com o vovô Emílio
E juntos jogaram a semente na terra macia
Molhavam quando precisava de noite ou de dia

Quando puseram a semente fizeram um trato
Cara ou coroa - jogaram a moeda no prato
Quem ganhasse comeria a primeira maçã
Assim tiraram a sorte logo de manhã

Combinaram ali que quando a macieira crescesse
A primeira fruta que o pé desse seria do tal
Mesmo que longe daquele dia estivesse
Imaginar o momento até parecia legal

Dudu ganhou o sorteio, e naquele momento
Os dois começaram a sonhar e ficar bem atentos
Cuidavam daquela plantinha com muito carinho
Desde então, todos os dias, daquele jeitinho

Cinco anos se passaram mas aquela promessa
Sempre era lembrada por estes meninos
Dudu às vezes falava que estava com pressa
Para ver a árvore grande e comer os seus frutos

Olhem como ela cresceu!
Vovô Emílio teve muito cuidado
Vejam só como floresceu!
Foi bom ter sempre ajudado

A linda primavera chegou
E a macieira cada vez mais florida
Bem pra cima Chico olhou
E avistou uma maça escondida

Lembrou-se do combinado
A maçã era do Dudu
Do seu amiguinho amado
Disfarçou olhando o céu azul

Ficou com aquele dilema
Pois a fruta parecia gostosa
Agora arranjou um problema
Porque a maçã era apetitosa

E agora? Chico pensou:
Ao Dudu eu devo mostrar?
Esticou sua mão e arrancou
Comeu tudo até terminar

Quando a maçã acabou
Chico muito triste ficou
Estava bem mal consigo
Pois foi infiel ao amigo

O trato que desde bem criança
Tinha bastante importância
Chico conseguiu quebrar
E agora, como confessar?

Ele decidiu esconder
Que comera a primeira fruta
Mas não pode conter
Que a realidade era bruta

E tudo ficou bem pior
Quando o Dudu avistou
Outra maçã bem maior
E, correndo o Chico chamou

Olha ali, Chico, aquela maçã!
Vou pegar amanhã de manhã
E não vou comer sozinho não
Vou dividir com você, amigão!

Ao ouvir dele este comentário
Chico mudou seu semblante
Sentiu-se muito arrasado
Seu olhar ficou desconcertante

Percebeu que não tinha outro jeito
E precisava confessar o que fez
Amanhã será um dia perfeito
Para assumir tudo de uma vez

E como difícil parece
Falar sobre as falhas da gente
Há coisas que não se esquece
E esconder não é nada prudente

Aquela noite foi triste
Chico quase não dormiu
A pior coisa que existe
Foi sentir o que ele sentiu

Ficou por um longo tempo
Pensando no que iria dizer
Precisa esperar o momento
Pra saber como irá resolver

Dudu na manhã seguinte
Acordou cedo, sem canseira
Foi logo fazer o convite
Ir com Chico à macieira

Já Chico estava cansado
Ficou a noite inteira acordado
Estava muito arrependido
E, por isso, bem decidido

Ele iria contar toda a verdade
Naquela mesma manhã
Sobre aquela grande maldade
De ter comido a primeira maçã

Para ele era importante confessar
Ainda que Dudu não perdoasse
O que mais queria era em paz estar
Dizer a verdade custando o que custasse

E foi isso que Chico fez naquele dia
Enquanto Dudu sua maçã dividia
Reconheceu com tristeza que não merecia
Pois a primeira maçã já comera no outro dia

E triste chorou bastante ao assumir
Reconhecendo que pior de tudo foi mentir
Para um amigo que era tão bondoso
Com quem deveria ser generoso

Emocionado com a notícia
Ouvindo tudo o que Chico fez
E impressionado com a malícia
Será que vai perdoar? Talvez.

Chico estava arrependido de verdade
E não queria perder aquela amizade
Dudu percebeu a sua aflição
E disse que lhe perdoava de coração

Então sorridentes se abraçaram
Debaixo da macieira se sentaram
E avistaram depois disso, outras maçãs
E ali brincavam todas as manhãs.


30.11.2018
Rossana F. Refosco

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