6 de janeiro de 2019

Temporal

"Junto aos rios da Babilônia, ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião.
Sobre os salgueiros que há no meio dela, penduramos as nossas harpas.
Pois lá aqueles que nos levaram cativos nos pediam uma canção; e os que nos destruíram, que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos uma das canções de Sião".
Salmos 137:1-3

Eu não fiz planos para pendurar a minha harpa e encostar-me num recanto qualquer.
Mas quando vem um temporal, os guarda-chuvas não conseguem deter os ventos.
E quando nessa ventania não se encontra nenhum abrigo, nos resta sentarmos ensopados mesmo em algum lugar e esperar...
Esperar sem saber quanto tempo ficaremos molhados, esperar sem pensar que o sol poderá se esconder; esperar sem lembrar que um resfriado poderá nos sobrevir ou mesmo sem imaginar se sobreviveremos.
Não sei se breve ou tarde, mas chegará o dia em que passarei um pano na minha velha harpa mofada e a tocarei sob os quentes raios do sol!
Sim! Este mesmo sol que secará as minhas vestes, anunciando que um novo dia chegou.
E, enquanto ele não vem, vou descobrir um jeito de, mesmo com as gotas da chuva escorrendo sobre o meu rosto e encharcando os meus cabelos, lembrar do sol e parar de olhar para estas nuvens carregadas de água que estão em minha frente.


31/12/2018


Rossana F. Refosco

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