Admirável homem,
Era Deus
A beleza que em ti havia.
Rossana F. Refosco
Imagem: Jacques-Louis David; “La Morte di Marat”; 1793.
"Eu tentarei tocar o mundo como Você tocou a minha vida. Eu quero ser Tuas mãos, eu quero ser Teus pés. Eu irei aonde Você me mandar". A.A.
11 de junho de 2015
10 de junho de 2015
O divã de Saramago
Desde os 13 anos, com certa frequência, separo alguns minutos do meu dia para reflexões sobre Deus, o auto-conhecimento, o conhecimento transcendente, a Teologia, a Ética e para analisar alguns padrões de comportamento dos quais devo buscar ou fugir.
Isso, claro, veio recebendo roupagens novas e profundidade a cada experiência;
Estou, ainda imatura, aos 29 anos, me deleitando em minha própria existência e saboreando estes meus vícios bem ditos.
Confesso que se a vida me deixasse, investiria mais tempo em poesia, livros, música, quadros, museus e tudo de mais genuinamente belo que possa existir...
Hoje, então dediquei pouco mais de 60 minutos a um grande escritor.
Alguns autores me colocam numa espécie de divã, não diferente do tradicional; aquele lugar confortabilíssimo, onde quem deita é quem fala;
O império austríaco me castraria se soubessem disso, mas sempre preferi Castro Alves à Sigmund Freud.
No entanto, Saramago, deitou-se no divã e narrou-me uma angústia em comum.
Quebrei todas as regras terapêuticas possíveis e comecei a chorar;
Sem setting terapêutico; sem contratransferência e sem profissionalidade alguma, pelo menos para os terapeutas ortodoxos;
Restou-me a aceitação incondicional, empatia, autenticidade e congruência.
Não sendo eu tão inábil assim para uma abordagem mais humanista.
E ele, pôs-se a me contar de seu (aliás, de nosso) desconsolo:
"O instinto serve melhor aos animais do que a razão à nossa espécie".
Imediatamente visualizo um predador e a sua caça.
- O que um predador busca, Saramago?
-A vida. A defesa de sua existência. A sobrevivência. O alimento.
O animal não tortura, ele não é cruel, não é mau. O homem sim.
Este ser racional sabe dar desprezo e ser indiferente;
Sabe mentir e ser infiel, visando o próprio bem estar;
Sabe ferir sem ao menos ter em mãos uma lança;
E tem capacidade para camuflar seu rancor em doçura;
Uma pessoa se torna má quando pensa que todos os meios são bons para alcançar o que se quer.
O homem sustenta mentiras com poesias; Mascara maldade com discurso de amor; Frauda sonhos com lágrimas postiças;
E manipula frio e calculista até aonde quer chegar;
Só o homem mau e sem ética mantém em seu esconderijo bondoso a traição;
O homem é racional porque escolhe ser mau;
Saramago me olha e cala ao ouvir:
"Até a próxima sessão";
Rossana F. Refosco
Imagem: Retrato de Maria, de Cândido Portinari. 1931;
SARAMAGO, José. "A irracionalidade racional" - in 'Diálogos com José Saramago'
10 de junho 2015: http://www.citador.pt/textos/a-racionalidade-irracional-jose-de-sousa-saramago
Isso, claro, veio recebendo roupagens novas e profundidade a cada experiência;
Estou, ainda imatura, aos 29 anos, me deleitando em minha própria existência e saboreando estes meus vícios bem ditos.
Confesso que se a vida me deixasse, investiria mais tempo em poesia, livros, música, quadros, museus e tudo de mais genuinamente belo que possa existir...
Hoje, então dediquei pouco mais de 60 minutos a um grande escritor.
Alguns autores me colocam numa espécie de divã, não diferente do tradicional; aquele lugar confortabilíssimo, onde quem deita é quem fala;
O império austríaco me castraria se soubessem disso, mas sempre preferi Castro Alves à Sigmund Freud.
No entanto, Saramago, deitou-se no divã e narrou-me uma angústia em comum.
Quebrei todas as regras terapêuticas possíveis e comecei a chorar;
Sem setting terapêutico; sem contratransferência e sem profissionalidade alguma, pelo menos para os terapeutas ortodoxos;
Restou-me a aceitação incondicional, empatia, autenticidade e congruência.
Não sendo eu tão inábil assim para uma abordagem mais humanista.
E ele, pôs-se a me contar de seu (aliás, de nosso) desconsolo:
"O instinto serve melhor aos animais do que a razão à nossa espécie".
Imediatamente visualizo um predador e a sua caça.
- O que um predador busca, Saramago?
-A vida. A defesa de sua existência. A sobrevivência. O alimento.
O animal não tortura, ele não é cruel, não é mau. O homem sim.
Este ser racional sabe dar desprezo e ser indiferente;
Sabe mentir e ser infiel, visando o próprio bem estar;
Sabe ferir sem ao menos ter em mãos uma lança;
E tem capacidade para camuflar seu rancor em doçura;
Uma pessoa se torna má quando pensa que todos os meios são bons para alcançar o que se quer.
O homem sustenta mentiras com poesias; Mascara maldade com discurso de amor; Frauda sonhos com lágrimas postiças;
E manipula frio e calculista até aonde quer chegar;
Só o homem mau e sem ética mantém em seu esconderijo bondoso a traição;
O homem é racional porque escolhe ser mau;
Saramago me olha e cala ao ouvir:
"Até a próxima sessão";
Rossana F. Refosco
Imagem: Retrato de Maria, de Cândido Portinari. 1931;
SARAMAGO, José. "A irracionalidade racional" - in 'Diálogos com José Saramago'
10 de junho 2015: http://www.citador.pt/textos/a-racionalidade-irracional-jose-de-sousa-saramago
29 de maio de 2015
Pássaro
Com as asas a bater
Distante espio o teu voar
Hílare liberdade
Rossana F. Refosco
Imagem: Théodore Géricault; O beijo; 1822.
Distante espio o teu voar
Hílare liberdade
Rossana F. Refosco
Imagem: Théodore Géricault; O beijo; 1822.
20 de maio de 2015
Vida e poesia
De cada sentido, um poema;
À existência, uma rosa;
Meu verso e reverso em prosa.
Rossana F. Refosco
Imagem: Pablo Picasso; The Weeping Woman; 1937
À existência, uma rosa;
Meu verso e reverso em prosa.
Rossana F. Refosco
Imagem: Pablo Picasso; The Weeping Woman; 1937
19 de maio de 2015
Indagação
Tiveste tantas mulheres
Vistosas, belas, célebres
O que de mim queres?
Rossana F. Refosco
imagem: As senhoritas de Avignon”; Picasso; 1907
Vistosas, belas, célebres
O que de mim queres?
Rossana F. Refosco
imagem: As senhoritas de Avignon”; Picasso; 1907
14 de maio de 2015
Da maçã
Perto
Ao certo
Pra atravessar;
Longe
Aonde?
Esconde
Pra olhar;
Maduro
Seguro
Conjuro?
Empurro
Pra lá;
Anelo
Singelo
Apelo
o elo?
(...)
Pra cá
Tão cedo
Insistes assim em ficar?
Rossana F. Refosco
Imagem: Théodore Géricault; Torse d'homme de profil, le bras droit levé; 1812;
Ao certo
Pra atravessar;
Longe
Aonde?
Esconde
Pra olhar;
Maduro
Seguro
Conjuro?
Empurro
Pra lá;
Anelo
Singelo
Apelo
o elo?
(...)
Pra cá
Tão cedo
Insistes assim em ficar?
Rossana F. Refosco
Imagem: Théodore Géricault; Torse d'homme de profil, le bras droit levé; 1812;
8 de maio de 2015
Soneto fúnebre
Cessou-se a existência terrena
Entrego-te, ó chão, o corpo
Pó ao pó, cinza à cinza, drena
O espírito, Deus o tenha morto;
Eis calado, o ponto final
Que dá morte à esperança
Axiomática e fatal
Sepultamento da aliança;
Quão grande perda que ao funeral se estende
Pôr sobre o amor a terra do afã
Mas sobre ti, ponho o jasmim
Deitando a força, a verdade sã
Por quem me mata, a lealdade
Porque quem ama, ama até o fim;
Rossana F. Refosco
Imagem: Edvard Munch; séparation; 1896
Entrego-te, ó chão, o corpo
Pó ao pó, cinza à cinza, drena
O espírito, Deus o tenha morto;
Eis calado, o ponto final
Que dá morte à esperança
Axiomática e fatal
Sepultamento da aliança;
Quão grande perda que ao funeral se estende
Pôr sobre o amor a terra do afã
Mas sobre ti, ponho o jasmim
Deitando a força, a verdade sã
Por quem me mata, a lealdade
Porque quem ama, ama até o fim;
Rossana F. Refosco
Imagem: Edvard Munch; séparation; 1896
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