5 de fevereiro de 2018

Soneto fugaz

Não me tires a tristeza saudosa
De imaginar-te, deveras, meu
E todo afinco me veio outrora
Querendo ser, meu coração, teu

Deixe-me cá, para ser distante
No pensamento me vem de lá
Trazendo a dor, sentimento errante
Fora-me prestes a acalmar

Como seria o olhar-me sorrindo
Na noite escura em meus braços tê-lo?
Seus dedos por entre os meus cabelos

E acarinhando-me adormecer
Sendo acordado pelos meus beijos
Escarmentado por não me ter...


Rossana F. Refosco

11 de dezembro de 2017

A viagem de Joaquim

Joaquim era o nome
De um menino da escola
Ele vivia com fome
Cheio de lanches na sacola

Sua mãe de vez em quando
Lhe deixava viajar
E ele ficava zoando
Até o dia chegar

O seu pai morava longe
E o amava de verdade
Um amor que não se esconde
Que tem reciprocidade

Joaquim ficava alegre
Sempre que chegava as férias
Sua mãe dizia:"Calma, Espere!"
E ele fingia crises sérias

Queria que chegasse logo
O dia de viajar
"Vou te levar no Psicólogo"
Ouvia sua mãe falar

E Joaquim não via a hora
De arrumar sua bagagem
Gritava do quintal pra fora:
"Eu já comprei minha passagem!"

O que ele não sabia
É que precisava de atenção
E certas coisas não podia
Fazer sem orientação

Então sua mãe elaborou
Uma listinha carinhosa
Joaquim colaborou
E ela ficou toda orgulhosa

O número UM da lista
É o protetor solar
Seja muito realista
Não esqueça de usar

Da lista, o número DOIS
É importante ter cuidado
Carne, ovos, feijão, arroz
E frango é recomendado

Os alimentos saudáveis
Fazem muita diferença
Eles são indispensáveis
E previnem de doenças

Outra coisa importante
É o banho de piscina
Obedeça o bastante
Tendo muita disciplina

A piscina dos adultos
Não foi feita pra criança
Um bom banho, sem tumulto
Bem ligado, senão dança

Fique longe de alturas
E olhe o elevador aberto
Quedas podem dar fraturas
É preciso ser esperto

Mas a lista não acabou
Tenho uma observação
Quando sair com alguém
Segure sempre a sua mão

É melhor não arriscar
Afastar-se dos mais velhos
Quando a rua atravessar
Olhe o sinal vermelho

A ultima coisa vou lembrar
O cinto de segurança
Se de carro for andar
Guarde bem esta lembrança

Já estou me despedindo
Do amigo Joaquim
Ele vai feliz cumprindo
Alegre pelo jardim

Com certeza esta viagem
Será muito divertida
Este menino é de coragem
E terá ótima partida

Ele é sempre obediente
E Deus atende as orações
Estará seguro sempre
Deixo as minhas saudações.

Rossana F. Refosco

28 de novembro de 2017

Registro de uma mãe

O pai do meu filho e eu estamos divorciados há quase sete anos.
Ele construiu com o tempo, uma família bonita. 
Tenho um motivo, muito grande, referente a minha decisão de me tornar amiga dele: o respeito e amor pelo meu filho. 
Nada que eu diga para ele mostrará tanto quem eu sou quanto o respeito que tenho pelo seu pai. 
Então sigo assim, orgulhosa de poder fazer valer todos os desprazeres que a vida tentou inutilmente me fazer passar.
Rossana F. Refosco

2 de outubro de 2017

De nada valeu

Eu te deixei
Troquei por meus amores passageiros
Nem lembrei
Tudo o que fizestes por mim
Ignorei
O som da sua voz com meu silêncio
Esqueci
Quanto amor tu sentias por mim

E agora não consigo mais caminhar
Longe de ti a minha vida não é vida
De todos os prazeres que te deixei
De nada valeu se não pra perceber
O que eu não sou sem ti

Tudo o que eu preciso está em ti

30 set 2017


Rossana F. Refosco

7 de setembro de 2017

Esqueça a sua mochila

Minha mochila é minha casa.
Nada pode me faltar. Gostaria de deixá-la num lugar e não ter de renovar diariamente os meus pertences, mas não posso fazer isso porque preciso de minhas coisas.
Atualmente carrego meu guarda chuva, preciso dele sempre, porque na estação que estamos o tempo muda de repente. O livro que estou lendo no momento: Anna Kariênina (deve pesar 2 kg). Uma bolsa de alumínio grande com 1 marmita que contém meu almoço, duas ou três frutas, um iogurte natural, colher e garfo, celular pessoal e profissional e carregadores, carteira, um livro infantil acompanhado de um lapis grafite e lápis de cor, os lanches, casacos e uniformes escolares e de atividades extras do meu filho.
Nunca tive a ideia de colocar numa balança todo o material, mas agora pensei em bloquear todos os meus amigos fisioterapeutas para não apanhar pelo 'auto maltrato'.
A verdade é que é um fardo.
É um fardo ter de dar conta de todo aquele peso diariamente, principalmente porque sigo uma rotina de uma trabalhadora comum - que anda a pé, com um filho ao lado, subindo e descendo escadas nas estações de metrô, sem falar nas viagens lotadas...
Acontece que eu levo aquele peso durante a manhã, no percurso de casa até a estação e depois ando mais uns 15 minutos a pé até chegar ao meu local de trabalho, quando finalmente apoio aquele peso no chão e sinto, enfim, um alívio.
Do trabalho até em casa faço a mesma coisa, mas só percebo mesmo que aquilo me era pesado, quando deito pra dormir no fim do dia e sinto o meu corpo aliviado, porém amedrontada com o fato de que este peso está, aos poucos, me matando.
E penso: será que o que carrego importa tanto assim?
Será que vale a pena transportar aquilo tudo e comprometer a minha coluna e estabilidade do meu corpo amanhã?
Quero discorrer neste tópico sobre outro fardo.
Volume que torna a vida das pessoas pesada. Que a maioria carrega para todos os lugares e não consegue andar livremente, por isso, nega todas as propostas que lhe são sugeridas.
Elas não conseguem se divertir com a mochila nas costas.
Como irão jogar futebol, passear, namorar, ir à praia, à livraria, ao cinema? Como tomarão decisões, se o tempo inteiro estamos a carregar suas carga, suas coisas?
Trata-se da ansiedade. Ela pode salvar ou matar.
A ansiedade vista como medo controlável diante de um desafio ou de uma circunstância nova, tem a sua utilidade. Prepara-nos para enfrentar as situações ou fugir delas; Em ambas, o intuito é nos preservar.
Quando o medo passa a ser incontrolável por pensamentos que nos roubam o equilíbrio e o bem estar e tendemos a fantasiar possíveis acontecimentos; quando tal imaginação passa a afetar o nosso convívio com as pessoas, nossa produtividade e interfere no nosso proceder, é cabível um diagnóstico: o transtorno de ansiedade.
Quem se identifica com tais características provavelmente já entendeu a metáfora da mochila, porque esse tipo de ansiedade é pesada, além de controlar nosso pensamento, ela cansa o nosso corpo e nos impulsiona a encher os nossos bolsos ainda mais com infindos pensamentos, e o medo que já era imenso, se torna um pânico e acabamos perdendo a noção da dimensão e da intensidade, e, como se não bastasse, agora vivemos (aliás sobrevivemos) para o medo. Os dias nos ficam pesados porque deixamos de viver prazerosamente e passamos a carregar o guarda chuva até mesmo no verão, levamos as marmitas até mesmo quando temos um almoço marcado em outro lugar, e o mundo parece não ter outro objetivo a não ser o de agafanhar nossa paz.
Convido você, amigo e amiga, que está lutando para esvaziar a sua mochila e esquecer pouco a pouco os seus pertences, a refletir sobre esta temática. E quem sabe, esta reflexão não poderá ajudar você a desfrutar de um maravilhoso banho de chuva?!
Para que viva um dia de cada vez, esqueça sua mochila.
Rossana F. Refosco

Sobre meus amores

Fecho os olhos tentando me lembrar quando descobri minha missão, mas não lembro. Como escrevo desde uns 11 anos, num daqueles meus diários, certa vez encontrei a resposta: “Quando eu for grande, quero ser psicóloga”. Não sei de onde tirei isso. Certamente ainda não sabia exatamente o que era aquilo, mas provavelmente devo ter lido sobre a atuação profissional e me identificado com o papel. Encontrei este diário anos depois de entrar na faculdade e fiquei surpresa.
Para muitos, aquela solenidade em dois mil e oito, o ano da nossa formatura, era uma mera formalidade, sem muita utilidade, era o cumprimento de um protocolo. E embora eu sempre acreditara que a palavra devia ser, quando sim, sim e quando não, não; talvez aquele dia tenha sido uma das poucas vezes que jurei de verdade. De pé, com a mão direita levantada, jurei, e não apenas jurei que serviria ao meu país, seguindo todo o rigor ético à serviço da humanidade, eu fechei os olhos e me coloquei a disposição do bem comum e da felicidade dos meus semelhantes. Chorei porque queria tocar com as minhas mãos a alma das pessoas e tentar aliviar o sofrimento delas, amenizando cada dor, sendo fiel ao meu conhecimento e subtrair os sentimentos autodestrutivos que tiram a alegria das pessoas. Eu tinha certeza que a partir daquele momento eu estava entrando em guerra contra as angustias e pesadelos que arrancavam o bem estar dos indivíduos.
Não é fácil.
Não é simples se colocar como um escudo, como um espelho ou como um aspirador das coisas que afetam negativamente os humanos. Não é fácil olhar para as suas histórias e não encontrar culpados.
Não é fácil não se envolver com a dor deles. Não é fácil por vezes ter de segurar o choro; ter de ser forte diante de um sofrimento. Não é fácil saber ouvir de verdade e poder segurar a mão de alguém que já perdeu a esperança; Não é fácil escutar alguém descrever algo “irreal”, mas que machuca de verdade. Não é fácil saber que é de um simples abraço que aquele ser humano precisa e que embora você dê, as pessoas que mais deveriam, jamais enxergarão. Não é fácil lutar com todas as suas forças contra a depressão e fracassar. Mas o pior de tudo, é não tentar, não poder ajudar, não poder reerguer, não poder levantar sozinho aquele alguém que já não está em condições de ficar de pé...
Por isso o amor é sofredor.
E se eu pudesse voltar no tempo, se voltasse dez anos, escolheria ser o que sou. Faria tudo outra vez. Porque penso que quando a gente trabalha com amor e para o amor, é assim, sempre vai valer a pena.
Dentre as inúmeras atuações da Psicologia, experimentei algumas. E em toda esta prática, posso me assegurar de que a empatia e a aceitação incondicional podem até não resultar exatamente na cura, porque não depende só do profissional, mas é o caminho para se chegar a ela.
No consultório, os clientes, previamente marcados, chegam até nós, cientes de que não conseguem mais lutar sozinhos e se surpreendem ao encontrar alguém que finalmente consegue compreender suas dores, isentos de julgamentos e com neutralidade podem tratá-los.
Mal sabem, que depois que eles levantam da poltrona e saem aliviados, nós ficamos lá, no mesmo local, segurando a prancheta, pensando e repensando nas histórias contadas desde a primeira sessão, nos relatos significativos, e, relendo cada uma delas, escrevemos os avanços e declínios, analisando cada palavra dita e não dita, para tentar estratégica e minuciosamente elaborar uma forma melhor para atender as demandas, para tentar ser suporte, na esperança de vê-lo livre de suas dores.
Em saúde mental descobri que optei pela abordagem mais humana do mundo. Descobri que eu posso sim, como Rogers mostrou, ser quem sou. Aprendi que a autenticidade faz parte do processo. Que eu posso usar além da linguagem verbal; e que muitas vezes não basta ouvir e ser compreendido, aprendi que um abraço pode ser a intervenção perfeita para o acolhimento.
Ouvi, uma vez, numa roda de pacientes com esquizofrenia, a senhora M. A. S., de uns 60 anos, falar: “Doutora, eu gosto da senhora porque a senhora abraça de verdade”. Poderia relatar os casos pesados, as evoluções dos pacientes deprimidos, as urgências, junto ao SAMU, as crises e surtos dos pacientes, as vezes que tentando intervir fui agredida fisicamente, as visitas domiciliares, dentre outras intervenções, mas prefiro expor apenas a importância da autenticidade, do abraço. Acsa de Queiroz, sabe bem disso.
A Psicologia Hospitalar também me encantou! Conheci grandes profissionais Barbara Vallim Késia Furtado, com quem aprendi muito.
Infelizmente nunca poderei relatar tamanha experiência, mas ao menos tentarei relatar algumas verdades de nossa rotina.
Entrava pela porta dos fundos, os que me cumprimentavam na chegada, mal sabiam que em todo o percurso da minha casa até o hospital, eu pensava neles, não nos leitos de número 5, 11, 3, 7... Pensava no seu Manuel, seu João, Dona Maria, Cida...Desde o ônibus eu imaginava se eles ainda estariam lá, torcendo para que tivessem tido uma evolução e ido pra casa. Quase todos os meus plantões eram na Unidade de Terapia Intensiva, por causa disso, as variáveis intervenientes eram bem comuns. Passávamos o dia inteiro em pé, mas era gratificante.
Diferente da Psicologia clínica, não era o paciente que procurava o terapeuta, era o contrário e as intervenções eram breves.
Não era fácil, porque o intervalo de um plantão para o outro, era de dois dias, e muitas vezes eles já não estavam mais lá... Uns, felizmente recebiam alta médica e iam pra algum quarto do hospital, e eu fazia questão de visitá-los e mostrá-los minha alegria pelo avanço, outros, infelizmente não poucos, estavam na lista dos que iam embora pra sempre.
Desde a entrada pela porta dos fundos, eu respirava, e, seguindo a rotina, guardava meus pertences, vestia o jaleco, cumprimentava os colegas, registrava a minha chegada e colocava a caneta, o carimbo e o caderninho nos bolsos para ansiosamente subir até o quinto andar, onde ficava a UTI. Seguia às pressas, com vontade de saber como eles estavam. Deparava-me com aquela porta, e a placa cujo anúncio era de restrição e entrada exclusiva dos profissionais. O frio, o silêncio de vozes e o barulho dos aparelhos estereotipavam o lugar, e assim, eu respirava e orava. Orava porque eu precisava de algo transcendente. Há lugares que se você não acredita em Deus, não existe esperança e tudo vira sem sentido, um caos de desesperança, mas se você acredita, sabe que os números podem mudar e que a ciência pode não ser tão precisa assim.
Enfim, seguia de uma porta a outra observando leito por leito, vendo quais pacientes estavam acordados,quais eram os inconscientes, os quietos,os traqueostomizados,os entubados, os agitados, observava a expressão dos que estavam dormindo, os mais graves, os desacompanhados, os que estavam tristes e os que sorriam e acenavam pra mim, respondendo ao meu estímulo. Seguidamente, apanhava cada prontuário e conferia se minhas impressões batiam com os riscos psicossociais, com os diagnósticos médicos e as anotações dos outros profissionais. Depois perguntava aos médicos e técnicos sobre as suas impressões e se havia algum paciente que, sob o ponto de vista deles, precisavam de uma escuta. A segunda volta que dava na sala, passava leito por leito, desta vez ouvindo os que podiam ouvir, me aproximando, segurando a mão. Sempre achei o toque muito importante, principalmente porque a UTI não era um ambiente onde se oferecia estímulos afetivos, às vezes nem nos horários de visita e embora tenha gastado muitos pares de luva daquele hospital, percebia a importância e por isso, nunca passei em um leito sequer sem segurar a mão do paciente enquanto conversávamos, a menos que eu sentisse que o momento não era oportuno. Sempre fui muito feliz no contato com todos os pacientes, porque o respeito e o amor pela vida deles era primordial. Ali aprendi a não julgar mais os médicos por serem ‘insensíveis’, eles também têm suas defesas. Muitas vezes me viam conversar com os familiares, nos horários de visitas e confiavam que podíamos trabalhar como equipe para o bem comum. Muitas vezes fui solicitada pelos médicos até em momentos em que não podia fazer nada além de ficar perto deles. Lembro-me de uma intercorrência,em que um dos pacientes teve uma parada cardíaca e eu era a única psicóloga ali, (poucos psicólogos iam para a UTI porque além de ser uma área de maior risco, a gente lidava com muitas perdas) lembro que o médico gritou: “PSICOLOGIA!!!!” Quando cheguei lá, os médicos e técnicos estavam em cima do paciente tentando ressuscitá-lo, e eu pensei: 'Meu Deus, por que ele me chamou? O que eu vou fazer?' Então apenas fiquei perto, sem dizer nada, só observando a cena de emergência e quieta. Depois entendi que era ele quem precisava e não o paciente. Ele precisava de alguém que lhe passasse segurança e por mais que eu não pudesse fazer "nada", ele precisava da presença de um psicólogo ali. Até hoje não sei se consegui ser útil, mas uma coisa é certa: aquele médico sabia o que era ter um psicólogo por perto, aliás, nós sabíamos.
Encerro assim este relato (um tanto amador) manifestando a minha admiração e a gratidão por todos os profissionais que assistem pessoas nos diversos campos de atuação na nossa sociedade. E finalizo com muita honra por ter escolhido esta profissão. Psicólogos, tenho orgulho de vocês!!
Rossana F. Refosco

25 de agosto de 2017

O Relógio Mágico

Beto era um menino
Extremamente egoísta
Era sempre ‘o melhor’
Sob o seu ponto de vista

Certa vez convidou
O Gabriel pra sua casa
Sua mãe fez um gostoso
Cupcake para cada

Mas o Beto não queria
Dividir a sobremesa
E então comeu os dois
Quanta indelicadeza!

Gabriel ficou bem triste
Não pôde experimentar
“É o melhor bolo que existe!”
Ouviu o Beto comentar

Naquele instante o Gabriel
Foi embora preocupado
Com um lenço de papel
Limpou o seu rosto molhado

Dia seguinte, na escola
Mais uma vez se encontraram
O Beto precisou de cola
E os seus amigos emprestaram

Neste momento o Gabriel
Do cupcake se lembrou
Concordou com os amigos
E a sua cola emprestou

Mas o Beto ainda assim
Nunca prestava atenção
Não olhava pro seu lado
Nem estendia a sua mão

Certa vez na sua sala
Chegou uma nova aluna
O seu nome perguntara
Dizendo: “o meu é Bruna”

Beto não deu atenção
Ao que Bruna lhe falara
À sua apresentação
Simplesmente ignorara

Mal sabia o tal do Beto
Que a Bruna conhecia
O dono de um objeto
Que todo mundo enaltecia

Era um relógio mágico
‘Observador de monstros’
Não havia nada trágico
Que saísse de seus pontos

Apertando o botão branco
Aparecia uma luz
Pisca pisca bem no canto
Ele acende e traduz

Qualquer atitude feia
O relógio acendia
O monstro ficava em pareia
E a pessoa já entendia

Bruna conheceu José
Dono do relógio mágico
Que ficou de orelha em pé
Com o Beto nada empático

Logo apertou o botão
E a luz acendeu
Veio o monstro egoistão
E o Beto estremeceu

O monstro lhe mostrou o dia
Que Gabriel lhe visitou
Que embora foi, sem alegria
E no caminho até chorou

Beto ficou todo surpreso
Imaginando ele chorar
Do monstro ele teve medo
Pois parecia lhe imitar

Depois ainda percebeu
Quão grande foi a grosseria
Quando a Bruna apareceu
Se apresentando no outro dia

Beto então voltou atrás
Pediu desculpas aos amigos
E aprendeu que o ‘tanto faz’
É bem pior que os inimigos

José achou que era hora
De apertar o botão vermelho
Beto prometeu que agora
Seguirá o bom conselho

Então apertou o botão
E o monstro desapareceu
Pôs a mão no coração
E bem feliz agradeceu.



Davi - 7 anos

Rossana F. Refosco

Num raio de sol

No sol, na manhã Areia do mar Me assentava esperando você Dourado o chão Toda luz em mim Entre o som das ondas A sua voz E no fechar dos o...