3 de maio de 2017

A tristeza adoece o corpo


Ainda nos primeiros capítulos da obra clássica 'O pequeno príncipe', a narrativa de Saint Exupery, conta sobre a existência de uma planta chamada Baobá; trata-se de sementes terríveis, tão destrutivas, que poderiam dar fim ao planeta daquele principezinho. "... Um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra dele. [...] E se o planeta é pequeno e os baobás são numerosos, o planeta acaba rachando. [...] É preciso que a gente se conforme em arrancar regularmente os baobás logo que se distingam das roseiras, com os quais muito se parecem quando pequenos... pois quando crescem, são uma catástrofe".
Se no âmbito psicológico eu pudesse dar nome à tristeza, eu daria Baobá... É preciso arrancá-la de dentro de nós antes que convide outros amigos (medo, pensamentos negativos, ansiedade) e cresça. Não! A tristeza não é uma patologia, todavia, é preciso que estejamos atentos à frequência com que ela se manifesta, às razões pelas quais aparecem e como nos comportamos quando ela está presente. A tristeza de um modo ou de outro, adoece o corpo. Encaro a tristeza como uma reação natural, porém, um estado de espírito que deve ser passageiro e resolvido, claro, de acordo com as condições devidas. Não é natural ficar feliz ao perder um emprego, porém A TRISTEZA ADOECE O CORPO. Não é comum ser assaltado e se alegrar, porém A TRISTEZA ADOECE O CORPO. A tristeza é uma reação momentânea, quando ela chega, nossas defesas psíquicas precisam atuar como os antibióticos fazem com as bactérias; para tanto, é preciso identificar a dor e reconhecer quais as possibilidades que temos para enfrentá-la, e, por fim recuperar o nosso estado de humor. É preciso que nos reconheçamos como sujeitos RESPONSÁVEIS, e nunca nos considerarmos como meros agentes passivos diante dos eventos estressores, a fim de evitarmos o nosso adoecimento e, consequentemente, a perda da nossa qualidade de vida.
Pensando na realidade atual do mundo (em que, segundo jornalistas, 350 milhões de pessoas estão sofrendo com depressão) elaborei uma série simples, porém de grande importância para a "podagem" de nossas folhas e extinção das sementes de baobás no solo de nosso "planeta". Certas atitudes, mesmo pequenas, podem auxiliar para que eliminemos a tristeza de dentro de nós, antes que ela cresça e seja mais difícil arrancá-la. Declaro contudo, aberta a série da semana: A TRISTEZA ADOECE O CORPO! Fiquem ligados e tenham ótimo proveito.

Rossana F. Refosco

14 de abril de 2017

19 de março de 2017

O lado

Não ousaria odiar
Quem me traiu
A traição revela os lados.
Nunca me perdoaria
Mentir ao amor.
Ando leve
Não fui eu.
E apesar,
Nunca serei.
Nunca mentirei a um amor.
É este o meu lado.


Rossana F. Refosco

Domingo

Foi um domingo feliz
E que acordei poeta
E vivi.
Ah! se vivi.
Cantei, brinquei
Escrevi versos sem lápis
E esqueci
Mas podia morrer
Porque hoje cantei
Todas as canções do disco
E fechei os olhos no banho
Sentindo a água morna escorrer...
Seja o que for
É bom...
É muito bom viver.
E me orgulhar de quem sou
E como amo
A vida com paixão!!!
Rossana F. Refosco

14 de fevereiro de 2017

Memórias de um catorze

Terei de me enfraquecer
De pôr as mãos na nuca
Lamentando os idos
E olhar pr'atrás
E ver que fui...
Jurando que tentei
Outros lábios beijar
E amar, amar...
E de novo fui feliz
E amei...
Porque a danada da felicidade
me persegue
E as borboletas voam
As flores e o jardim
Estão então aqui
Assim, por dentro...
Mas terei de fingir-me triste
E escrever
Pra descrever
Porque ser feliz com você
Foi melhor
Mas teve fim.
E a pureza
Que hoje me deixa nua
Me faz querer ser [de novo] sua.
E mesmo, enfim,
Sabendo que nunca
E que me pareça 'kitsch'
Terei de hoje me lembrar
De você.


Rossana F. Refosco

18 de janeiro de 2017

Seu veredito:'culpado'!

Da seção de livros poéticos contidos na bíblia, tenho bastante estima por Jó.
Não há evidências de que sua história seja real, e sobre o autor, alguns eruditos sugerem Moisés, outros descrevem o sábio Salomão, mas a sua autoria é incerta.
Sobre sua veracidade, há suspeitas de tratar-se de uma trama.
Embora considerado um enredo fictício, contém nas linhas e entrelinhas desta biografia, verdades divinas e também humanas, que para mim evocam sobremaneira um pensamento: o de não subestimar a relação pessoal e íntima de um indivíduo com Deus, pondo em cheque a admirada e maldita meritocracia, muito querida por alguns.
Em Gênesis, observo a ação de Deus, como de alguém que preserva aqueles que são justos.
Em detrimento de toda a maldade que se instalou no mundo, desde a queda do homem, surgiram pessoas nas quais motivaram o criador a acreditar na possibilidade de restauração de toda a humanidade,por isso a destruição que sobreveio nos tempos antigos, não atingiu a família de Noé.
Os relatos mostram o cuidado de Deus sobre a geração de Abrão, Ló, Isaque, Jacó, José...
Enfim, se tivesse de usar um termo para definir tais ações de Deus no primeiro livro do pentateuco, seria: 'preservação'. Mas Ele tem seus propósitos eternos, que muitas vezes não compreendemos.
Nos primeiros capítulos do livro de Jó, as cortinas se abrem com a exposição clara e objetiva, que identifica a prosperidade e integridade do protagonista.
Seguidamente, o próprio Deus exibe orgulhosamente o seu filho à Satanás, descrevendo-o como "íntegro, reto, honesto, leal à sua palavra, totalmente consagrado a Deus e que odeia a maldade"(1.1-8).
Diante da tragédia que resultou em perdas, tanto de bens, quanto de todos os seus filhos, Jó permanece triste, porém, sem pecado, afirma o narrador; sua fé e confiança continuam voltadas para o Criador, declarando-se submisso à soberania divina: "O Senhor deu, o Senhor tomou, bendito seja o nome do Senhor" e, ainda: "Nú saí do ventre e nú retornarei, o nome de Deus seja louvado". (1.21-22).
No episódio que sucede, Deus, para garantir ao inimigo que a fé de Jó era indestrutível, permite que Satanás toque em sua saúde, agora era a vez de mexer em sua homeostasia.
Diante da enfermidade, Jó prefere ficar em silêncio, negando a proposta (para ele, insana) da esposa, de amaldiçoar a Deus.
O narrador mais uma vez entra em cena apenas com uma frase evocada do meio do redemoinho: "Apesar de tudo, Jó não pecou". (2.10)
Finalmente recebe a visita de alguns amigos que acompanham seu sofrimento "de perto" e lamentam durante 7 dias e 7 noites sem dizer sequer uma palavra, tamanha era a dor de Jó.
Passados estes dias, Jó sente necessidade de quebrar o silêncio, expressando o seu desejo pela morte, com o intuito de aliviar um pouco sua tortura.
Após o desabafo de Jó, um de seus amigos, Elifaz, repreende Jó, apresentando-lhe acusações à sua pessoa.
Ele discursa sobre as verdades de Deus como se Jó não O conhecesse de fato e de experiência.
Para ele, Jó certamente houvera pecado para que lhe sobreviesse tamanho castigo.
Jó não precisava de conselhos, precisava sentir-se compreendido, sentir-se consolado, mas ao contrário, ficou desapontado, continuou sozinho e comparou os seus amigos a "um rio que seca no verão"(6.14-23).
Todavia, de uma coisa Jó tinha convicção: sua integridade diante de Deus; e, sem máscara, confessava a sua desesperança pelo mal que lhe ocorrera.
É a vez do outro amigo Bildade, ele também discursa sobre os atributos de Deus e Sua capacidade, julgando Jó de haver pecado e afirmando que seus filhos também haviam pecado, por isso Deus os castigara; Ele propõe que Jó urgentemente se arrependa, tentando lançar sobre ele o peso da culpa.
A defesa de Jó (cap 9) não é uma exposição de alguém que apenas conhece a Deus, mas que de fato tem uma proximidade com Ele.
Jó mais uma vez declara a sua inocência (9.21), mesmo sabendo que fora-lhe dado pelo amigo o veredito:'culpado'.
O que Jó desejava era paz, um mínimo de alívio para a sua dor e, apenas na morte estava sua esperança; ele expressa honestamente todo sofrimento de sua alma, ainda que sem consolo algum.
-Jó, você pensa que não temos a resposta?
Pensa que sua zombaria nos fará calar?
Você diz que é inocente, mas eu gostaria que Deus mesmo lhe desse a resposta; assim você entenderia que Ele o está castigando menos do que o que você merece. Arrependa-se, volte o seu coração para Deus. Abandone o pecado de suas mãos e Ele o curará". (11.3-20)
São estas as palavras do seu terceiro amigo, Zofar.
Que discurso tenho a oferecer para um coração em sofrimento?
Quando um coração dói, não precisa de discursos sobre Deus, precisa de afeto; não precisa de religião, porque a única palavra que se encaixa com dor é amor e amor é o que o amor faz.
Jó não tinha necessidade de juízes ou donos da verdade, muito menos de quem apresentasse o Deus que ele já conhecia.
Não precisava de um ultimato, mas de empatia,de uma escuta compreensiva, porque se estamos em uma caverna, o que precisamos é de alguém que entre lá, mas entre de verdade, alguém que tenha medo e chore conosco, que veja, aliás, sinta a escuridão e nos ajude a sair de lá.
Jogar uma corda às vezes não basta, é preciso descer, ir até a caverna para tirar quem quer que seja de lá.

Ref.: Bíblia -"A mensagem" -versão de Eugene Peterson.
Imagem: François ler en César; Francesco Primaticcio; séc XVI;

Rossana F. Refosco

Num raio de sol

No sol, na manhã Areia do mar Me assentava esperando você Dourado o chão Toda luz em mim Entre o som das ondas A sua voz E no fechar dos o...