7 de setembro de 2017

Esqueça a sua mochila

Minha mochila é minha casa.
Nada pode me faltar. Gostaria de deixá-la num lugar e não ter de renovar diariamente os meus pertences, mas não posso fazer isso porque preciso de minhas coisas.
Atualmente carrego meu guarda chuva, preciso dele sempre, porque na estação que estamos o tempo muda de repente. O livro que estou lendo no momento: Anna Kariênina (deve pesar 2 kg). Uma bolsa de alumínio grande com 1 marmita que contém meu almoço, duas ou três frutas, um iogurte natural, colher e garfo, celular pessoal e profissional e carregadores, carteira, um livro infantil acompanhado de um lapis grafite e lápis de cor, os lanches, casacos e uniformes escolares e de atividades extras do meu filho.
Nunca tive a ideia de colocar numa balança todo o material, mas agora pensei em bloquear todos os meus amigos fisioterapeutas para não apanhar pelo 'auto maltrato'.
A verdade é que é um fardo.
É um fardo ter de dar conta de todo aquele peso diariamente, principalmente porque sigo uma rotina de uma trabalhadora comum - que anda a pé, com um filho ao lado, subindo e descendo escadas nas estações de metrô, sem falar nas viagens lotadas...
Acontece que eu levo aquele peso durante a manhã, no percurso de casa até a estação e depois ando mais uns 15 minutos a pé até chegar ao meu local de trabalho, quando finalmente apoio aquele peso no chão e sinto, enfim, um alívio.
Do trabalho até em casa faço a mesma coisa, mas só percebo mesmo que aquilo me era pesado, quando deito pra dormir no fim do dia e sinto o meu corpo aliviado, porém amedrontada com o fato de que este peso está, aos poucos, me matando.
E penso: será que o que carrego importa tanto assim?
Será que vale a pena transportar aquilo tudo e comprometer a minha coluna e estabilidade do meu corpo amanhã?
Quero discorrer neste tópico sobre outro fardo.
Volume que torna a vida das pessoas pesada. Que a maioria carrega para todos os lugares e não consegue andar livremente, por isso, nega todas as propostas que lhe são sugeridas.
Elas não conseguem se divertir com a mochila nas costas.
Como irão jogar futebol, passear, namorar, ir à praia, à livraria, ao cinema? Como tomarão decisões, se o tempo inteiro estamos a carregar suas carga, suas coisas?
Trata-se da ansiedade. Ela pode salvar ou matar.
A ansiedade vista como medo controlável diante de um desafio ou de uma circunstância nova, tem a sua utilidade. Prepara-nos para enfrentar as situações ou fugir delas; Em ambas, o intuito é nos preservar.
Quando o medo passa a ser incontrolável por pensamentos que nos roubam o equilíbrio e o bem estar e tendemos a fantasiar possíveis acontecimentos; quando tal imaginação passa a afetar o nosso convívio com as pessoas, nossa produtividade e interfere no nosso proceder, é cabível um diagnóstico: o transtorno de ansiedade.
Quem se identifica com tais características provavelmente já entendeu a metáfora da mochila, porque esse tipo de ansiedade é pesada, além de controlar nosso pensamento, ela cansa o nosso corpo e nos impulsiona a encher os nossos bolsos ainda mais com infindos pensamentos, e o medo que já era imenso, se torna um pânico e acabamos perdendo a noção da dimensão e da intensidade, e, como se não bastasse, agora vivemos (aliás sobrevivemos) para o medo. Os dias nos ficam pesados porque deixamos de viver prazerosamente e passamos a carregar o guarda chuva até mesmo no verão, levamos as marmitas até mesmo quando temos um almoço marcado em outro lugar, e o mundo parece não ter outro objetivo a não ser o de agafanhar nossa paz.
Convido você, amigo e amiga, que está lutando para esvaziar a sua mochila e esquecer pouco a pouco os seus pertences, a refletir sobre esta temática. E quem sabe, esta reflexão não poderá ajudar você a desfrutar de um maravilhoso banho de chuva?!
Para que viva um dia de cada vez, esqueça sua mochila.
Rossana F. Refosco

Sobre meus amores

Fecho os olhos tentando me lembrar quando descobri minha missão, mas não lembro. Como escrevo desde uns 11 anos, num daqueles meus diários, certa vez encontrei a resposta: “Quando eu for grande, quero ser psicóloga”. Não sei de onde tirei isso. Certamente ainda não sabia exatamente o que era aquilo, mas provavelmente devo ter lido sobre a atuação profissional e me identificado com o papel. Encontrei este diário anos depois de entrar na faculdade e fiquei surpresa.
Para muitos, aquela solenidade em dois mil e oito, o ano da nossa formatura, era uma mera formalidade, sem muita utilidade, era o cumprimento de um protocolo. E embora eu sempre acreditara que a palavra devia ser, quando sim, sim e quando não, não; talvez aquele dia tenha sido uma das poucas vezes que jurei de verdade. De pé, com a mão direita levantada, jurei, e não apenas jurei que serviria ao meu país, seguindo todo o rigor ético à serviço da humanidade, eu fechei os olhos e me coloquei a disposição do bem comum e da felicidade dos meus semelhantes. Chorei porque queria tocar com as minhas mãos a alma das pessoas e tentar aliviar o sofrimento delas, amenizando cada dor, sendo fiel ao meu conhecimento e subtrair os sentimentos autodestrutivos que tiram a alegria das pessoas. Eu tinha certeza que a partir daquele momento eu estava entrando em guerra contra as angustias e pesadelos que arrancavam o bem estar dos indivíduos.
Não é fácil.
Não é simples se colocar como um escudo, como um espelho ou como um aspirador das coisas que afetam negativamente os humanos. Não é fácil olhar para as suas histórias e não encontrar culpados.
Não é fácil não se envolver com a dor deles. Não é fácil por vezes ter de segurar o choro; ter de ser forte diante de um sofrimento. Não é fácil saber ouvir de verdade e poder segurar a mão de alguém que já perdeu a esperança; Não é fácil escutar alguém descrever algo “irreal”, mas que machuca de verdade. Não é fácil saber que é de um simples abraço que aquele ser humano precisa e que embora você dê, as pessoas que mais deveriam, jamais enxergarão. Não é fácil lutar com todas as suas forças contra a depressão e fracassar. Mas o pior de tudo, é não tentar, não poder ajudar, não poder reerguer, não poder levantar sozinho aquele alguém que já não está em condições de ficar de pé...
Por isso o amor é sofredor.
E se eu pudesse voltar no tempo, se voltasse dez anos, escolheria ser o que sou. Faria tudo outra vez. Porque penso que quando a gente trabalha com amor e para o amor, é assim, sempre vai valer a pena.
Dentre as inúmeras atuações da Psicologia, experimentei algumas. E em toda esta prática, posso me assegurar de que a empatia e a aceitação incondicional podem até não resultar exatamente na cura, porque não depende só do profissional, mas é o caminho para se chegar a ela.
No consultório, os clientes, previamente marcados, chegam até nós, cientes de que não conseguem mais lutar sozinhos e se surpreendem ao encontrar alguém que finalmente consegue compreender suas dores, isentos de julgamentos e com neutralidade podem tratá-los.
Mal sabem, que depois que eles levantam da poltrona e saem aliviados, nós ficamos lá, no mesmo local, segurando a prancheta, pensando e repensando nas histórias contadas desde a primeira sessão, nos relatos significativos, e, relendo cada uma delas, escrevemos os avanços e declínios, analisando cada palavra dita e não dita, para tentar estratégica e minuciosamente elaborar uma forma melhor para atender as demandas, para tentar ser suporte, na esperança de vê-lo livre de suas dores.
Em saúde mental descobri que optei pela abordagem mais humana do mundo. Descobri que eu posso sim, como Rogers mostrou, ser quem sou. Aprendi que a autenticidade faz parte do processo. Que eu posso usar além da linguagem verbal; e que muitas vezes não basta ouvir e ser compreendido, aprendi que um abraço pode ser a intervenção perfeita para o acolhimento.
Ouvi, uma vez, numa roda de pacientes com esquizofrenia, a senhora M. A. S., de uns 60 anos, falar: “Doutora, eu gosto da senhora porque a senhora abraça de verdade”. Poderia relatar os casos pesados, as evoluções dos pacientes deprimidos, as urgências, junto ao SAMU, as crises e surtos dos pacientes, as vezes que tentando intervir fui agredida fisicamente, as visitas domiciliares, dentre outras intervenções, mas prefiro expor apenas a importância da autenticidade, do abraço. Acsa de Queiroz, sabe bem disso.
A Psicologia Hospitalar também me encantou! Conheci grandes profissionais Barbara Vallim Késia Furtado, com quem aprendi muito.
Infelizmente nunca poderei relatar tamanha experiência, mas ao menos tentarei relatar algumas verdades de nossa rotina.
Entrava pela porta dos fundos, os que me cumprimentavam na chegada, mal sabiam que em todo o percurso da minha casa até o hospital, eu pensava neles, não nos leitos de número 5, 11, 3, 7... Pensava no seu Manuel, seu João, Dona Maria, Cida...Desde o ônibus eu imaginava se eles ainda estariam lá, torcendo para que tivessem tido uma evolução e ido pra casa. Quase todos os meus plantões eram na Unidade de Terapia Intensiva, por causa disso, as variáveis intervenientes eram bem comuns. Passávamos o dia inteiro em pé, mas era gratificante.
Diferente da Psicologia clínica, não era o paciente que procurava o terapeuta, era o contrário e as intervenções eram breves.
Não era fácil, porque o intervalo de um plantão para o outro, era de dois dias, e muitas vezes eles já não estavam mais lá... Uns, felizmente recebiam alta médica e iam pra algum quarto do hospital, e eu fazia questão de visitá-los e mostrá-los minha alegria pelo avanço, outros, infelizmente não poucos, estavam na lista dos que iam embora pra sempre.
Desde a entrada pela porta dos fundos, eu respirava, e, seguindo a rotina, guardava meus pertences, vestia o jaleco, cumprimentava os colegas, registrava a minha chegada e colocava a caneta, o carimbo e o caderninho nos bolsos para ansiosamente subir até o quinto andar, onde ficava a UTI. Seguia às pressas, com vontade de saber como eles estavam. Deparava-me com aquela porta, e a placa cujo anúncio era de restrição e entrada exclusiva dos profissionais. O frio, o silêncio de vozes e o barulho dos aparelhos estereotipavam o lugar, e assim, eu respirava e orava. Orava porque eu precisava de algo transcendente. Há lugares que se você não acredita em Deus, não existe esperança e tudo vira sem sentido, um caos de desesperança, mas se você acredita, sabe que os números podem mudar e que a ciência pode não ser tão precisa assim.
Enfim, seguia de uma porta a outra observando leito por leito, vendo quais pacientes estavam acordados,quais eram os inconscientes, os quietos,os traqueostomizados,os entubados, os agitados, observava a expressão dos que estavam dormindo, os mais graves, os desacompanhados, os que estavam tristes e os que sorriam e acenavam pra mim, respondendo ao meu estímulo. Seguidamente, apanhava cada prontuário e conferia se minhas impressões batiam com os riscos psicossociais, com os diagnósticos médicos e as anotações dos outros profissionais. Depois perguntava aos médicos e técnicos sobre as suas impressões e se havia algum paciente que, sob o ponto de vista deles, precisavam de uma escuta. A segunda volta que dava na sala, passava leito por leito, desta vez ouvindo os que podiam ouvir, me aproximando, segurando a mão. Sempre achei o toque muito importante, principalmente porque a UTI não era um ambiente onde se oferecia estímulos afetivos, às vezes nem nos horários de visita e embora tenha gastado muitos pares de luva daquele hospital, percebia a importância e por isso, nunca passei em um leito sequer sem segurar a mão do paciente enquanto conversávamos, a menos que eu sentisse que o momento não era oportuno. Sempre fui muito feliz no contato com todos os pacientes, porque o respeito e o amor pela vida deles era primordial. Ali aprendi a não julgar mais os médicos por serem ‘insensíveis’, eles também têm suas defesas. Muitas vezes me viam conversar com os familiares, nos horários de visitas e confiavam que podíamos trabalhar como equipe para o bem comum. Muitas vezes fui solicitada pelos médicos até em momentos em que não podia fazer nada além de ficar perto deles. Lembro-me de uma intercorrência,em que um dos pacientes teve uma parada cardíaca e eu era a única psicóloga ali, (poucos psicólogos iam para a UTI porque além de ser uma área de maior risco, a gente lidava com muitas perdas) lembro que o médico gritou: “PSICOLOGIA!!!!” Quando cheguei lá, os médicos e técnicos estavam em cima do paciente tentando ressuscitá-lo, e eu pensei: 'Meu Deus, por que ele me chamou? O que eu vou fazer?' Então apenas fiquei perto, sem dizer nada, só observando a cena de emergência e quieta. Depois entendi que era ele quem precisava e não o paciente. Ele precisava de alguém que lhe passasse segurança e por mais que eu não pudesse fazer "nada", ele precisava da presença de um psicólogo ali. Até hoje não sei se consegui ser útil, mas uma coisa é certa: aquele médico sabia o que era ter um psicólogo por perto, aliás, nós sabíamos.
Encerro assim este relato (um tanto amador) manifestando a minha admiração e a gratidão por todos os profissionais que assistem pessoas nos diversos campos de atuação na nossa sociedade. E finalizo com muita honra por ter escolhido esta profissão. Psicólogos, tenho orgulho de vocês!!
Rossana F. Refosco

25 de agosto de 2017

O Relógio Mágico

Beto era um menino
Extremamente egoísta
Era sempre ‘o melhor’
Sob o seu ponto de vista

Certa vez convidou
O Gabriel pra sua casa
Sua mãe fez um gostoso
Cupcake para cada

Mas o Beto não queria
Dividir a sobremesa
E então comeu os dois
Quanta indelicadeza!

Gabriel ficou bem triste
Não pôde experimentar
“É o melhor bolo que existe!”
Ouviu o Beto comentar

Naquele instante o Gabriel
Foi embora preocupado
Com um lenço de papel
Limpou o seu rosto molhado

Dia seguinte, na escola
Mais uma vez se encontraram
O Beto precisou de cola
E os seus amigos emprestaram

Neste momento o Gabriel
Do cupcake se lembrou
Concordou com os amigos
E a sua cola emprestou

Mas o Beto ainda assim
Nunca prestava atenção
Não olhava pro seu lado
Nem estendia a sua mão

Certa vez na sua sala
Chegou uma nova aluna
O seu nome perguntara
Dizendo: “o meu é Bruna”

Beto não deu atenção
Ao que Bruna lhe falara
À sua apresentação
Simplesmente ignorara

Mal sabia o tal do Beto
Que a Bruna conhecia
O dono de um objeto
Que todo mundo enaltecia

Era um relógio mágico
‘Observador de monstros’
Não havia nada trágico
Que saísse de seus pontos

Apertando o botão branco
Aparecia uma luz
Pisca pisca bem no canto
Ele acende e traduz

Qualquer atitude feia
O relógio acendia
O monstro ficava em pareia
E a pessoa já entendia

Bruna conheceu José
Dono do relógio mágico
Que ficou de orelha em pé
Com o Beto nada empático

Logo apertou o botão
E a luz acendeu
Veio o monstro egoistão
E o Beto estremeceu

O monstro lhe mostrou o dia
Que Gabriel lhe visitou
Que embora foi, sem alegria
E no caminho até chorou

Beto ficou todo surpreso
Imaginando ele chorar
Do monstro ele teve medo
Pois parecia lhe imitar

Depois ainda percebeu
Quão grande foi a grosseria
Quando a Bruna apareceu
Se apresentando no outro dia

Beto então voltou atrás
Pediu desculpas aos amigos
E aprendeu que o ‘tanto faz’
É bem pior que os inimigos

José achou que era hora
De apertar o botão vermelho
Beto prometeu que agora
Seguirá o bom conselho

Então apertou o botão
E o monstro desapareceu
Pôs a mão no coração
E bem feliz agradeceu.



Davi - 7 anos

Rossana F. Refosco

27 de julho de 2017

Carta a meu irmão mais velho

Eu sou saudosista, e como a gente hoje não está atrás duma mesa com um monte de moleque rodeando um bolo do Topo Gigio (eu demorei pra achar esse nome escrito certo, viu? ) pra cantar seus parabéns, decidi escrever o que me vinha à mente pensando nos seus 34 anos, na verdade, nos nossos 32 anos, porque todos os meus anos, tiveram a sua companhia...
Ter uma família é ter pra onde olhar; É saber que existe aquele farol aceso enquanto a gente navegar.
Eram quatro ferros em forma de cilindro, pintados de azul, a cor predileta de painho; Lembra? Os menores ficavam pro lado do corredor, os maiores, no alto da garagem. Ali era o meu segundo lugar preferido.
O primeiro é de difícil explicação, porque era em cima duma pedra, e quem entenderia que poderia haver uma pedra enorme na varanda de nossa casa? Só acredita quem viu.
Mas era ali naquela pedra que eu costumava me deitar e procurava um espacinho vazio no céu, que era cheinho de estrelas. Eu passava horas deitada ali, escolhendo minha estrela e admirada com tanta luz. Não sei se você tinha dessas coisas, mas eu tinha.
Quando me dava medo, eu entrava e deitava no chão mesmo, ainda ali na varanda: meu segundo lugar favorito. Colocava então os meus pés lá no alto, no segundo ferro azul, o mais baixo, e continuava a olhar pro céu; e eu daqui a pouco, não estava mais lá... Me pendurava entre um ferro e outro, como num parque e ficava ali até me cansar, meter a bunda no chão de uma queda ou mainha me buscar na lua. (Só em ter escapado de um TCE naqueles ferros, já era vantagem pra gente).
Aquelas estrelas? Nunca mais vi não. Como diria Gonzagão: Não há luar como o do sertão.
Depois de ir pra capital, o céu até ficou mais perto,décimo andar, elevador pra lá e pra cá, mas nunca mais vi aquele luzeiro lá no alto brilhar. Nem se comparava: as estrelas em João Pessoa eram quietinhas, as do sertão disputavam um lugar no céu pra luzir.
Nossos amigos de tão perto, ficaram cada vez mais longe e a vela devagarzinho, pouco a pouco, foi se apagando (não na memória, nem do coração).
Quando menos esperava começara tudo de novo e já tinha um monte de gente que eu chamava de minha. O cenário mudou, a cena, os telespectadores, os protagonistas, tudo havia mudado, menos a nossa família. Restávamos nós, sempre nós cinco.
Estavávamos o tempo todo lá, vendo a mudança do cenário, os fatos verídicos, os fictícios , os casos amorosos, os fétidos e tudo o que se passou, que nem posso descrever, se não mainha mata a gente, no caso, eu e Cynthia.
Eu sinto saudades e lembro-me da gente dizendo: “eca!” quando mainha dizia que no futuro a gente iria casar. A gente nunca queria sair de perto dela, lógico que essa fase não durou até os 15 anos, quando a gente ia pra atrás da porta comemorar que eles iam viajar e a gente ia fazer Tudoooooooooooooooooooo o que queria, que não era nada mais do que ligar o som nas alturas, assistir TV sem limites e levar a galera da igreja pra assistir o VHS de ‘Novo Som’ ao vivo no Imperator - até altas horas - estourando 22:00h - mainha soube demais escravizar nossa mente, a gente jurava que era o máximo de ruindade(depois eu aprendi mais coisas, mas deixa quieto.
Mas você sempre foi o responsável da casa, sempre obediente, aliás, o mais obediente. Mas eu tenho pra mim que você só era ‘o santo’ por minha causa; Eles tinham que ter uma referência e eu era a mais próxima, por sinal, péssima; e, como a gente sabe, eu extrapolei todas as idéias possíveis e imaginárias do que seria uma criança “impestiada”.
Você também foi ruim quando bateu a espumadeira quente, cheia de manteiga na mão de Zefinha – a bichinha - e caboetava quando a gente dançava Xuxa na escola.
Enfim, eu só pensei hoje, no seu aniversário, que ter uma família é saber que naquele brilhinho lá longe há uma direção; é ter a certeza que ele em nenhum momento vai apagar e que sempre haverá um pontinho de luz que nunca estará longe demais.
A gente está ficando velho.
Amo você, mano, Feliz aniversário! ( a bosta da internet caiu e agora é dia 27)
Essa foto a gente tirou em Itaporanga. Me lembro desse armário velho (nojento) de ferro, que eu era doida pra pegar as coisas de mainha, mas fazia um barulho danado,que me denunciava toda vez que eu abria.
Rossana F. Refosco

22 de julho de 2017

Lute por você

“Acordei diferente.
Uma angustia no peito e uma fadiga indescritível.
Eu já estava triste há dias, só pensava em coisas ruins, comecei a interpretar algumas situações com pessimismo, mas não imaginei que fosse chegar a tal ponto.
Estou sem forças, sem aquela ‘coisa’ que faz o coração bater e faz a gente querer viver.
Eu perdi o controle, perdi a emoção, perdi aquele ‘negócio’ que a gente chama de vontade. Percebi a seriedade da situação quando não tinha mais prazer por ir à praia aos sábados, correr aos domingos, fazer piquenique com meus sobrinhos...
Perder o ânimo por essas coisas foi assustador.
É quando a gente perde o sentido de viver e não tem ânimo por nada. As coisas que antes davam prazer, se tornam como um nada, sem significado algum.
Não sei o nome disso, no popular, é desânimo.
Li artigos científicos, sites de Associações Psiquiátricas e, infelizmente me enquadro perfeitamente no diagnóstico de depressão”.
HCH,34 anos.
Anedonia é um dos sintomas da depressão, caracterizado pela perda da capacidade de sentir prazer.
As pessoas experimentam uma desagradável sensação de impotência quando percebem que não sentem mais vontade de realizar as atividades mais prazerosas de suas vidas, gerando um considerável sentimento de tristeza e desânimo para qualquer atividade.
Como lidar com este sintoma, já que este parece sugar todas as nossas forças?
O primeiro, e mais importante passo, é procurar com urgência e, por vezes, contra a sua própria vontade, a ajuda de um profissional qualificado: Um psicólogo.
Neste tópico, irei compartilhar sobre a ANEDONIA e a importância de atentarmos de modo específico para tal sentimento.

Rossana F. Refosco

30 de junho de 2017

O maquinista

Minha noite havia sido péssima.
Metade das horas de sono eu havia gastado preocupada com o meu futuro. A outra metade passara viajando numa retrospectiva de planos frustrados e caminhos pelos quais eu poderia e deveria ter percorrido, mas não o fiz. Restou-me a culpa, que não me deixou pregar os olhos um segundo sequer. Não tenho isso com muita freqüência, por isso me marcou.
Acordei exausta. Meu semblante estereotipava a angustia noturna do dia anterior. Mas como todos os dias, percorri o rotineiro trajeto depois de pôr a mochila nas costas, caminhando até a estação Uruguai. Assentei-me no banco cinza e frio do metrô, sem esperança que algo pudesse fugir do normal, me trazendo ao menos um pouco de conforto.
Costumeiramente os maquinistas são bem objetivos e específicos; muitos parecem que apertam um ‘play’ ao invés de falar.
- “Bom dia, meu nome é fulano de tal, conduzirei vocês até a estação tal”. Alguns ainda dizem aos passageiros que desejam uma boa viagem, outros não.
Não tenho certeza em qual estação houvera tido a troca de condutor, mas me lembro dele ser diferente de todos os que já “vi”; Ele se apresentara com um ‘bom dia’ brilhante e atípico. Lembro de ele ter desejado muito mais do que um bom dia, ele desejou que os passageiros não desistissem de seus sonhos, insinuando que cada um dos viajantes certamente conseguiria ousadamente e dentro de si mesmo, o suficiente para assim fazê-lo.
Nossa!! As palavras daquele maquinista me trouxeram a cura imediatamente, pelo menos, a porção daquele dia (por causa da minha noite em claro). Fiquei feliz na mesma hora e cheia de esperança para realizar mil e um sonhos pendentes ao invés de ficar me lamentando.
Após o longo percurso dos meus pensamentos, no tocante à genialidade oportuna da ação daquela pessoa que exercia aquela determinada função (o maquinista), percebi a importância de estarmos sensíveis aos incontáveis seres humanos desesperados que passam pelo nosso caminho e como exercer um papel na sociedade oferece a cada um de nós, a oportunidade de experimentarmos a humanidade e o importar-se.
Para tanto, inspirada na gentileza das palavras que naquele dia me trouxera alívio, pensei no quanto poderia ser útil que cada profissional pudesse refletir sobre a importância do seu papel na vida de alguém que atravessa um episódio depressivo.
Convidei, portanto, alguns profissionais pelos quais tenho admiração, para nos contar em uma curta metragem de, no máximo, 1’:30’’. Respondendo a questão: COMO A SUA ATUAÇÃO PROFISSIONAL PODE CONTRIBUIR POSITIVAMENTE NA VIDA DE UMA PESSOA QUE ENCONTRA-SE EM UM ESTADO DEPRIMIDO?
Tenho abordado a cada dois meses, postagens que apresentam alguns sintomas significativos dentro do quadro depressivo; primeiramente tratamos da tristeza, que emanam dos pensamentos negativos por onde a depressão sutilmente se instala, usamos o tópico: A TRISTEZA ADOECE O CORPO, em seguida, apresentamos outro sintoma consideravelmente importante, que é a baixa autoestima, exibindo o tópico: PELO BEM DA AUTO ESTIMA, foram postagens com provocações e reflexões sobre o assunto.
Tentarei postar um vídeo semanal ou quinzenalmente expondo este novo tópico, representando a importância das pequenas ações empáticas que podem trazer ao outro, o bem estar, penso que o nosso próximo tópico pode ser: MINHA CONTRIBUIÇÃO. Porque “ambição e conquista sem CONTRIBUIÇÃO, não tem significado”. (Frase extraída do filme O Clube do Imperador). Quanto eu posso contribuir?
Rossana F. Refosco

28 de junho de 2017

Trinta e dois


Ele me fez enxergar no escuro;
Respondeu com amor às minhas questões mais difíceis;
Meus medos sumiram diante de Sua majestade;
Quando doeu, me mostrou a Sua força em mim.
Quando pensei que havia perdido, me assegurou que não.
Quando a esperança estava indo embora, Ele apareceu nos lugares menos esperados.
É a Sua mão que me segura todas as manhãs, é o Seu colo que me traz o aconchego que preciso.
É o seu olhar que me constrange a me arrepender quando erro, a pedir perdão quando traio e sentir vergonha quando minto;
É este mesmo olhar que me mostra que eu posso ser melhor, que eu posso amar como Ele me amou, sem desistir, sem vacilar e perdoar quantas vezes necessárias;
Você me faz ver que tudo tem um jeito!
Ele me faz ser quem eu sou, sem vergonha, sem medo, sem máscaras.
E a Sua Cruz me dá, todos os dias, a certeza de que Sua vida aqui não foi em vão, porque é o meu mestre.
Quando achei que não tinha mais nada, Ele se fez suficiente.
Obrigada porque sei onde te encontrar.
Porque sei que se eu errar o caminho, você vai me encontrar.
Obrigada, Deus, por Cristo.
Obrigada, Cristo, por poder viver em mim apesar de mim.
Rossana F. Refosco

Num raio de sol

No sol, na manhã Areia do mar Me assentava esperando você Dourado o chão Toda luz em mim Entre o som das ondas A sua voz E no fechar dos o...