Eu bem queria
Poder simplesmente te abraçar
E esta saudade
Levar para bem longe
Pra nunca mais voltar
Eu podia me esquecer
de você
Só que agora é tarde
Pra recomeçar
Te ver
E não poder te amar
Não sabia que doía
Pensar em você
E tanto que esperei
Que o tempo te levasse
Eu não sei por que você
Se aconchegou em mim
E eu não quis saber
Quanto era arriscado
Você perto de mim
Se aconchegando em mim
Encontrou lugar
Mas não quer sair
Nem ficar
Rossana F. Refosco
"Eu tentarei tocar o mundo como Você tocou a minha vida. Eu quero ser Tuas mãos, eu quero ser Teus pés. Eu irei aonde Você me mandar". A.A.
12 de fevereiro de 2018
5 de fevereiro de 2018
Soneto efêmero
Ao menos hoje te quero
E hei de em meu pensamento encontrar
Um olhar confuso e austero
Sem dizer onde, como e por que ficar
Que vês em mim, amigo terno
Que vens com mapa e mistério a revelar?
Que vês no teu inferno?
Desconfiança do que me faz te desejar
Bem queria que não tivesses nada
Além desse seu olhar desconcertante
Que viesses a mim apenas com'alma
Que a deixasse ver-me atentamente por um instante
Que se admirasse na minha entrega descamada
E se aconchegasse, ao menos hoje, em meu ser amante
Rossana F. Refosco
E hei de em meu pensamento encontrar
Um olhar confuso e austero
Sem dizer onde, como e por que ficar
Que vês em mim, amigo terno
Que vens com mapa e mistério a revelar?
Que vês no teu inferno?
Desconfiança do que me faz te desejar
Bem queria que não tivesses nada
Além desse seu olhar desconcertante
Que viesses a mim apenas com'alma
Que a deixasse ver-me atentamente por um instante
Que se admirasse na minha entrega descamada
E se aconchegasse, ao menos hoje, em meu ser amante
Rossana F. Refosco
Soneto fugaz
Não me tires a tristeza saudosa
De imaginar-te, deveras, meu
E todo afinco me veio outrora
Querendo ser, meu coração, teu
Deixe-me cá, para ser distante
No pensamento me vem de lá
Trazendo a dor, sentimento errante
Fora-me prestes a acalmar
Como seria o olhar-me sorrindo
Na noite escura em meus braços tê-lo?
Seus dedos por entre os meus cabelos
E acarinhando-me adormecer
Sendo acordado pelos meus beijos
Escarmentado por não me ter...
Rossana F. Refosco
De imaginar-te, deveras, meu
E todo afinco me veio outrora
Querendo ser, meu coração, teu
Deixe-me cá, para ser distante
No pensamento me vem de lá
Trazendo a dor, sentimento errante
Fora-me prestes a acalmar
Como seria o olhar-me sorrindo
Na noite escura em meus braços tê-lo?
Seus dedos por entre os meus cabelos
E acarinhando-me adormecer
Sendo acordado pelos meus beijos
Escarmentado por não me ter...
Rossana F. Refosco
11 de dezembro de 2017
A viagem de Joaquim
Joaquim era o nome
De um menino da escola
Ele vivia com fome
Cheio de lanches na sacola
Sua mãe de vez em quando
Lhe deixava viajar
E ele ficava zoando
Até o dia chegar
O seu pai morava longe
E o amava de verdade
Um amor que não se esconde
Que tem reciprocidade
Joaquim ficava alegre
Sempre que chegava as férias
Sua mãe dizia:"Calma, Espere!"
E ele fingia crises sérias
Queria que chegasse logo
O dia de viajar
"Vou te levar no Psicólogo"
Ouvia sua mãe falar
E Joaquim não via a hora
De arrumar sua bagagem
Gritava do quintal pra fora:
"Eu já comprei minha passagem!"
O que ele não sabia
É que precisava de atenção
E certas coisas não podia
Fazer sem orientação
Então sua mãe elaborou
Uma listinha carinhosa
Joaquim colaborou
E ela ficou toda orgulhosa
O número UM da lista
É o protetor solar
Seja muito realista
Não esqueça de usar
Da lista, o número DOIS
É importante ter cuidado
Carne, ovos, feijão, arroz
E frango é recomendado
Os alimentos saudáveis
Fazem muita diferença
Eles são indispensáveis
E previnem de doenças
Outra coisa importante
É o banho de piscina
Obedeça o bastante
Tendo muita disciplina
A piscina dos adultos
Não foi feita pra criança
Um bom banho, sem tumulto
Bem ligado, senão dança
Fique longe de alturas
E olhe o elevador aberto
Quedas podem dar fraturas
É preciso ser esperto
Mas a lista não acabou
Tenho uma observação
Quando sair com alguém
Segure sempre a sua mão
É melhor não arriscar
Afastar-se dos mais velhos
Quando a rua atravessar
Olhe o sinal vermelho
A ultima coisa vou lembrar
O cinto de segurança
Se de carro for andar
Guarde bem esta lembrança
Já estou me despedindo
Do amigo Joaquim
Ele vai feliz cumprindo
Alegre pelo jardim
Com certeza esta viagem
Será muito divertida
Este menino é de coragem
E terá ótima partida
Ele é sempre obediente
E Deus atende as orações
Estará seguro sempre
Deixo as minhas saudações.
Rossana F. Refosco
De um menino da escola
Ele vivia com fome
Cheio de lanches na sacola
Sua mãe de vez em quando
Lhe deixava viajar
E ele ficava zoando
Até o dia chegar
O seu pai morava longe
E o amava de verdade
Um amor que não se esconde
Que tem reciprocidade
Joaquim ficava alegre
Sempre que chegava as férias
Sua mãe dizia:"Calma, Espere!"
E ele fingia crises sérias
Queria que chegasse logo
O dia de viajar
"Vou te levar no Psicólogo"
Ouvia sua mãe falar
E Joaquim não via a hora
De arrumar sua bagagem
Gritava do quintal pra fora:
"Eu já comprei minha passagem!"
O que ele não sabia
É que precisava de atenção
E certas coisas não podia
Fazer sem orientação
Então sua mãe elaborou
Uma listinha carinhosa
Joaquim colaborou
E ela ficou toda orgulhosa
O número UM da lista
É o protetor solar
Seja muito realista
Não esqueça de usar
Da lista, o número DOIS
É importante ter cuidado
Carne, ovos, feijão, arroz
E frango é recomendado
Os alimentos saudáveis
Fazem muita diferença
Eles são indispensáveis
E previnem de doenças
Outra coisa importante
É o banho de piscina
Obedeça o bastante
Tendo muita disciplina
A piscina dos adultos
Não foi feita pra criança
Um bom banho, sem tumulto
Bem ligado, senão dança
Fique longe de alturas
E olhe o elevador aberto
Quedas podem dar fraturas
É preciso ser esperto
Mas a lista não acabou
Tenho uma observação
Quando sair com alguém
Segure sempre a sua mão
É melhor não arriscar
Afastar-se dos mais velhos
Quando a rua atravessar
Olhe o sinal vermelho
A ultima coisa vou lembrar
O cinto de segurança
Se de carro for andar
Guarde bem esta lembrança
Já estou me despedindo
Do amigo Joaquim
Ele vai feliz cumprindo
Alegre pelo jardim
Com certeza esta viagem
Será muito divertida
Este menino é de coragem
E terá ótima partida
Ele é sempre obediente
E Deus atende as orações
Estará seguro sempre
Deixo as minhas saudações.
Rossana F. Refosco
28 de novembro de 2017
Registro de uma mãe
O pai do meu filho e eu estamos divorciados há quase sete anos.
Ele construiu com o tempo, uma família bonita.
Tenho um motivo, muito grande, referente a minha decisão de me tornar amiga dele: o respeito e amor pelo meu filho.
Nada que eu diga para ele mostrará tanto quem eu sou quanto o respeito que tenho pelo seu pai.
Então sigo assim, orgulhosa de poder fazer valer todos os desprazeres que a vida tentou inutilmente me fazer passar.
Rossana F. Refosco
Ele construiu com o tempo, uma família bonita.
Tenho um motivo, muito grande, referente a minha decisão de me tornar amiga dele: o respeito e amor pelo meu filho.
Nada que eu diga para ele mostrará tanto quem eu sou quanto o respeito que tenho pelo seu pai.
Então sigo assim, orgulhosa de poder fazer valer todos os desprazeres que a vida tentou inutilmente me fazer passar.
Rossana F. Refosco
2 de outubro de 2017
De nada valeu
Eu te deixei
Troquei por meus amores passageiros
Nem lembrei
Tudo o que fizestes por mim
Ignorei
O som da sua voz com meu silêncio
Esqueci
Quanto amor tu sentias por mim
E agora não consigo mais caminhar
Longe de ti a minha vida não é vida
De todos os prazeres que te deixei
De nada valeu se não pra perceber
O que eu não sou sem ti
Tudo o que eu preciso está em ti
30 set 2017
Rossana F. Refosco
Troquei por meus amores passageiros
Nem lembrei
Tudo o que fizestes por mim
Ignorei
O som da sua voz com meu silêncio
Esqueci
Quanto amor tu sentias por mim
E agora não consigo mais caminhar
Longe de ti a minha vida não é vida
De todos os prazeres que te deixei
De nada valeu se não pra perceber
O que eu não sou sem ti
Tudo o que eu preciso está em ti
30 set 2017
Rossana F. Refosco
7 de setembro de 2017
Esqueça a sua mochila
Minha mochila é minha casa.
Nada pode me faltar. Gostaria de deixá-la num lugar e não ter de renovar diariamente os meus pertences, mas não posso fazer isso porque preciso de minhas coisas.
Atualmente carrego meu guarda chuva, preciso dele sempre, porque na estação que estamos o tempo muda de repente. O livro que estou lendo no momento: Anna Kariênina (deve pesar 2 kg). Uma bolsa de alumínio grande com 1 marmita que contém meu almoço, duas ou três frutas, um iogurte natural, colher e garfo, celular pessoal e profissional e carregadores, carteira, um livro infantil acompanhado de um lapis grafite e lápis de cor, os lanches, casacos e uniformes escolares e de atividades extras do meu filho.
Nunca tive a ideia de colocar numa balança todo o material, mas agora pensei em bloquear todos os meus amigos fisioterapeutas para não apanhar pelo 'auto maltrato'.
A verdade é que é um fardo.
É um fardo ter de dar conta de todo aquele peso diariamente, principalmente porque sigo uma rotina de uma trabalhadora comum - que anda a pé, com um filho ao lado, subindo e descendo escadas nas estações de metrô, sem falar nas viagens lotadas...
Acontece que eu levo aquele peso durante a manhã, no percurso de casa até a estação e depois ando mais uns 15 minutos a pé até chegar ao meu local de trabalho, quando finalmente apoio aquele peso no chão e sinto, enfim, um alívio.
Do trabalho até em casa faço a mesma coisa, mas só percebo mesmo que aquilo me era pesado, quando deito pra dormir no fim do dia e sinto o meu corpo aliviado, porém amedrontada com o fato de que este peso está, aos poucos, me matando.
E penso: será que o que carrego importa tanto assim?
Será que vale a pena transportar aquilo tudo e comprometer a minha coluna e estabilidade do meu corpo amanhã?
Quero discorrer neste tópico sobre outro fardo.
Volume que torna a vida das pessoas pesada. Que a maioria carrega para todos os lugares e não consegue andar livremente, por isso, nega todas as propostas que lhe são sugeridas.
Elas não conseguem se divertir com a mochila nas costas.
Como irão jogar futebol, passear, namorar, ir à praia, à livraria, ao cinema? Como tomarão decisões, se o tempo inteiro estamos a carregar suas carga, suas coisas?
Trata-se da ansiedade. Ela pode salvar ou matar.
A ansiedade vista como medo controlável diante de um desafio ou de uma circunstância nova, tem a sua utilidade. Prepara-nos para enfrentar as situações ou fugir delas; Em ambas, o intuito é nos preservar.
Quando o medo passa a ser incontrolável por pensamentos que nos roubam o equilíbrio e o bem estar e tendemos a fantasiar possíveis acontecimentos; quando tal imaginação passa a afetar o nosso convívio com as pessoas, nossa produtividade e interfere no nosso proceder, é cabível um diagnóstico: o transtorno de ansiedade.
Quem se identifica com tais características provavelmente já entendeu a metáfora da mochila, porque esse tipo de ansiedade é pesada, além de controlar nosso pensamento, ela cansa o nosso corpo e nos impulsiona a encher os nossos bolsos ainda mais com infindos pensamentos, e o medo que já era imenso, se torna um pânico e acabamos perdendo a noção da dimensão e da intensidade, e, como se não bastasse, agora vivemos (aliás sobrevivemos) para o medo. Os dias nos ficam pesados porque deixamos de viver prazerosamente e passamos a carregar o guarda chuva até mesmo no verão, levamos as marmitas até mesmo quando temos um almoço marcado em outro lugar, e o mundo parece não ter outro objetivo a não ser o de agafanhar nossa paz.
Convido você, amigo e amiga, que está lutando para esvaziar a sua mochila e esquecer pouco a pouco os seus pertences, a refletir sobre esta temática. E quem sabe, esta reflexão não poderá ajudar você a desfrutar de um maravilhoso banho de chuva?!
Para que viva um dia de cada vez, esqueça sua mochila.
Rossana F. Refosco
Nada pode me faltar. Gostaria de deixá-la num lugar e não ter de renovar diariamente os meus pertences, mas não posso fazer isso porque preciso de minhas coisas.
Atualmente carrego meu guarda chuva, preciso dele sempre, porque na estação que estamos o tempo muda de repente. O livro que estou lendo no momento: Anna Kariênina (deve pesar 2 kg). Uma bolsa de alumínio grande com 1 marmita que contém meu almoço, duas ou três frutas, um iogurte natural, colher e garfo, celular pessoal e profissional e carregadores, carteira, um livro infantil acompanhado de um lapis grafite e lápis de cor, os lanches, casacos e uniformes escolares e de atividades extras do meu filho.
Nunca tive a ideia de colocar numa balança todo o material, mas agora pensei em bloquear todos os meus amigos fisioterapeutas para não apanhar pelo 'auto maltrato'.
A verdade é que é um fardo.
É um fardo ter de dar conta de todo aquele peso diariamente, principalmente porque sigo uma rotina de uma trabalhadora comum - que anda a pé, com um filho ao lado, subindo e descendo escadas nas estações de metrô, sem falar nas viagens lotadas...
Acontece que eu levo aquele peso durante a manhã, no percurso de casa até a estação e depois ando mais uns 15 minutos a pé até chegar ao meu local de trabalho, quando finalmente apoio aquele peso no chão e sinto, enfim, um alívio.
Do trabalho até em casa faço a mesma coisa, mas só percebo mesmo que aquilo me era pesado, quando deito pra dormir no fim do dia e sinto o meu corpo aliviado, porém amedrontada com o fato de que este peso está, aos poucos, me matando.
E penso: será que o que carrego importa tanto assim?
Será que vale a pena transportar aquilo tudo e comprometer a minha coluna e estabilidade do meu corpo amanhã?
Quero discorrer neste tópico sobre outro fardo.
Volume que torna a vida das pessoas pesada. Que a maioria carrega para todos os lugares e não consegue andar livremente, por isso, nega todas as propostas que lhe são sugeridas.
Elas não conseguem se divertir com a mochila nas costas.
Como irão jogar futebol, passear, namorar, ir à praia, à livraria, ao cinema? Como tomarão decisões, se o tempo inteiro estamos a carregar suas carga, suas coisas?
Trata-se da ansiedade. Ela pode salvar ou matar.
A ansiedade vista como medo controlável diante de um desafio ou de uma circunstância nova, tem a sua utilidade. Prepara-nos para enfrentar as situações ou fugir delas; Em ambas, o intuito é nos preservar.
Quando o medo passa a ser incontrolável por pensamentos que nos roubam o equilíbrio e o bem estar e tendemos a fantasiar possíveis acontecimentos; quando tal imaginação passa a afetar o nosso convívio com as pessoas, nossa produtividade e interfere no nosso proceder, é cabível um diagnóstico: o transtorno de ansiedade.
Quem se identifica com tais características provavelmente já entendeu a metáfora da mochila, porque esse tipo de ansiedade é pesada, além de controlar nosso pensamento, ela cansa o nosso corpo e nos impulsiona a encher os nossos bolsos ainda mais com infindos pensamentos, e o medo que já era imenso, se torna um pânico e acabamos perdendo a noção da dimensão e da intensidade, e, como se não bastasse, agora vivemos (aliás sobrevivemos) para o medo. Os dias nos ficam pesados porque deixamos de viver prazerosamente e passamos a carregar o guarda chuva até mesmo no verão, levamos as marmitas até mesmo quando temos um almoço marcado em outro lugar, e o mundo parece não ter outro objetivo a não ser o de agafanhar nossa paz.
Convido você, amigo e amiga, que está lutando para esvaziar a sua mochila e esquecer pouco a pouco os seus pertences, a refletir sobre esta temática. E quem sabe, esta reflexão não poderá ajudar você a desfrutar de um maravilhoso banho de chuva?!
Para que viva um dia de cada vez, esqueça sua mochila.
Rossana F. Refosco
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