"Eu tentarei tocar o mundo como Você tocou a minha vida. Eu quero ser Tuas mãos, eu quero ser Teus pés. Eu irei aonde Você me mandar". A.A.
24 de abril de 2015
Das pálpebras aos olhos
Unidas, o desassossego;
Desunidas, o deslumbre;
Exorbitante paz.
Rossana F. Refosco
Imagem: Edward Hopper; Estados Unidos, 1882.
Fé
A terra não há de comer
Estes olhos
Janelas de expectação!
Rossana F. Refosco
imagem: teusje.wordpress.com
23 de abril de 2015
Trajando o coração...
Meus últimos meses têm sido dedicado à Frankl. Posso enumerar suas virtudes por longas datas, destaco seu altruísmo e lealdade. Homem inteligente que encontrou na vida e na morte, um sentido. Posso enumerar também as virtudes de outros tantos, como: Quintana, Fernando Pessoa, Rubem Alves,Machado de Assis, Drummond, Rogers, Confúcio, Buda, S. Freud, Piaget, Kurt Lewin,Che Guevara, Martin Luther King, Mandela, Heidegger, Jung, Addler, Chico, Caetano, Belchior e Cartola (...) e tantos outros pensadores, poetas, revolucionários...
Todavia confesso, que nenhuma sensação me é igual a de quando ponho os meus olhos sobre o Evangelho de Cristo.
Nada é tão poético e revolucionário pra mim.
Li hoje, a primeira perícope do Evangelho segundo Marcos.
Passei horas e horas com apenas 8 versos.
Senti como se um rio de águas vivas passassem pelo meu interior, mas este é o nosso 'segredo'.
O Evangelho inicia ousada e objetivamente:
"Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, filho de Deus"
Não se trata apenas de Cristo, mas dos judeus e de João Batista.
Ele retorna a Isaias, rememorando a profecia que alguém irá preparar o caminho do Senhor...
Sujeitinho esquisito, anormal, trajando vestes de pêlos de camelos e cinto de couro; Alimentando-se de mel silvestre e gafanhoto. Sim, era João.
Digno de um:"Deus, não tinha uma coisinha melhor, não?"
Pra mim, leitora, é mole, mole entender, até porque sei o desfecho da história...
Mas, o que eu diria desse nóia?
O evangelho me fascina por isso!!!!
Deus é um cara gente boa que está mais interessado em integridade de caráter do que em aparência.
Olha só quem é o 'abridor' do caminho de Cristo?!?!
Ele calado, talvez um lunático...
Mas o abrir de seus lábios trazem aos ouvintes arrependimento.
Concordo com Ed René, em seu 'Talmidim'. E também, por anos interpretei erroneamente: "Arrependei-vos porque é chegado o reino de Deus".
Arrependimento, não tem nada a ver com a culpa de ter feito ou deixado de fazer algo que hoje não faria ou faria. Não é a sensação de olhar pra trás e querer voltar no tempo...
Arrependimento é a junção de duas palavras: meta: mudança e nous: mente.
Arrependimento = metanoia = mudança no modo de pensar;
Essa era a mensagem de João: Mudem a maneira que vocês pensam, que o Reino de Deus chegou. Cristo está aí. Pensem diferente.
Cristo supera abundantemente todos estes grandes homens citados acima; não só pelo seu fim, vencendo a morte; mas pelo seu trajeto, pelos caminhos por onde passou, as casas que repousou, as mesas que se assentou e as pessoas com quem andou e a quem amou...
O impressionante era que ninguém esperava que aquele carinha alternativo,despojado, de aparência regular e simples, iria superar de tão grande modo, a rigidez da Torá.
Substituindo o "Não matarás" por: "Se tão somente, em seu coração, odiar o seu irmão, és assassino". O "Não adulterarás", por: "Se olhares pra mulher do teu próximo e desejares, já cometestes adultério".
Quando imagino o estereotipo de João e Jesus, vejo um evangelho revolucionário, não apenas por essa razão, claro; é que certamente ele não se vestia como os grandes religiosos de sua época, que valorizavam o exterior, mas suas palavras e seu caráter eram cheios de integridade.
Desde o meu encontro com este Cristo, tenho aprendido a valorizar aquilo que de fato importa.
Rossana F. Refosco
Imagem de Cândido Portinari
26 de março de 2015
Impacto invisível
Com um título suavemente adverso, Yancey consegue reafirmar as razões pelas quais nossa relação é tão cheia de critérios, todavia confesso que o desfecho de suas palavras sempre me encanta;
O impacto acontece para Yancey, da mesma forma que para Confúcio.
O Filósofo chinês da era antiga, foi e ainda é inspiração para muitos pensadores e para os pobres mortais, como eu;
Mesmo assim, declaro-lhe mestre, cujos analectos considero além de um amplo sistema ético, um cânon.
Diante da leitura sobre a noção de impacto de Yancey, imediatamente transportei-me a Confúcio, que acredita que o exemplo é capaz de mudar a sociedade.
Para ele, "A sinceridade torna-se visível. Sendo visível, torna-se manifesta. Sendo manifesta,torna-se brilhante. Afetando outros, eles são modificados por ela. Modificados por ela, são transformados. Apenas aquele que é possuído pela mais completa sinceridade existente sob o céu pode transformar".(BUCKINGHAM et al, 2011; p.38)
Ao contrário de Confúcio, que não menciona sua relação com a divindade, Yancey revela que ser participante do sofrimento de Cristo, assim como a vida virtuosa (fidelidade e sinceridade) para Confúcio, produz um impacto e transformação.
Philip Yancey afirma que a plenitude do impacto que nossas ações causam na vida dos outros são invisíveis, quando declara que "Nós nunca saberemos, nesta vida, o significado pleno de nossas ações aqui, pois muitas coisas invisíveis acontecem conosco. Quando um pastor num país opressor vai para a prisão devido a seu protesto pacífico; quando uma assistente social se muda para um gueto urbano; quando um casal se recusa a desistir de um casamento difícil; (...) quando um jovem profissional resiste a crescentes tentações envolvendo riqueza e sucesso - em todos esses sofrimentos, grandes ou pequenos, existe a garantia de um nível mais profundo de significado, de uma participação na vitória redentora de Cristo".
A questão não é se os nossos atos são visíveis ou invisíveis; menos ainda se seguimos o discurso de Confúcio ou de Cristo; A verdade é que há guerras que são vencidas apenas pelo fato de lutar até que o inimigo desista.
Não pretendo, contudo, expor uma construção dialética, visto que estes pensamentos se cruzam numa idéia única de constituir um ser humano virtuoso e transformador, sujeito repleto de amor e, diria Frankl, de sentido; diria João, de Deus.
Desejo, para tanto, acender uma vela na escuridão, até que o sol não brilhe.
Imagem: Cândido Portinari, Brodowisk, 1942
Rossana F. Refosco
O impacto acontece para Yancey, da mesma forma que para Confúcio.
O Filósofo chinês da era antiga, foi e ainda é inspiração para muitos pensadores e para os pobres mortais, como eu;
Mesmo assim, declaro-lhe mestre, cujos analectos considero além de um amplo sistema ético, um cânon.
Diante da leitura sobre a noção de impacto de Yancey, imediatamente transportei-me a Confúcio, que acredita que o exemplo é capaz de mudar a sociedade.
Para ele, "A sinceridade torna-se visível. Sendo visível, torna-se manifesta. Sendo manifesta,torna-se brilhante. Afetando outros, eles são modificados por ela. Modificados por ela, são transformados. Apenas aquele que é possuído pela mais completa sinceridade existente sob o céu pode transformar".(BUCKINGHAM et al, 2011; p.38)
Ao contrário de Confúcio, que não menciona sua relação com a divindade, Yancey revela que ser participante do sofrimento de Cristo, assim como a vida virtuosa (fidelidade e sinceridade) para Confúcio, produz um impacto e transformação.
Philip Yancey afirma que a plenitude do impacto que nossas ações causam na vida dos outros são invisíveis, quando declara que "Nós nunca saberemos, nesta vida, o significado pleno de nossas ações aqui, pois muitas coisas invisíveis acontecem conosco. Quando um pastor num país opressor vai para a prisão devido a seu protesto pacífico; quando uma assistente social se muda para um gueto urbano; quando um casal se recusa a desistir de um casamento difícil; (...) quando um jovem profissional resiste a crescentes tentações envolvendo riqueza e sucesso - em todos esses sofrimentos, grandes ou pequenos, existe a garantia de um nível mais profundo de significado, de uma participação na vitória redentora de Cristo".
A questão não é se os nossos atos são visíveis ou invisíveis; menos ainda se seguimos o discurso de Confúcio ou de Cristo; A verdade é que há guerras que são vencidas apenas pelo fato de lutar até que o inimigo desista.
Não pretendo, contudo, expor uma construção dialética, visto que estes pensamentos se cruzam numa idéia única de constituir um ser humano virtuoso e transformador, sujeito repleto de amor e, diria Frankl, de sentido; diria João, de Deus.
Desejo, para tanto, acender uma vela na escuridão, até que o sol não brilhe.
Imagem: Cândido Portinari, Brodowisk, 1942
Rossana F. Refosco
24 de março de 2015
Sym pathos
Tomada por uma sensação de riso sarcástico, juntei as capas do Yancey após a leitura de um pequeno parágrafo, que considerei um tanto ingênuo; a grosso modo: "... Deus aprendeu como é ser uma criatura humana. Tudo o que possamos sentir, Deus sentiu".(YANCEY,2011; p.105)
Não fechei o livro apenas por razão de superficialmente discordar, mas meu intuito era ponderar todo verso;
Não valeria à pena discorrer sobre a vivência dos meus últimos meses, dos quais imaginei Cristo nunca haver passado. Não considerando maior o meu lamento e dor a despeito do dele, mas na tentativa de diferenciar os níveis de relações afetuosas.
Seguida de reflexões, aceitei o desafio de Lucado de evocar apenas alguns dos dias de grande angustia vividos pelo Cristo, cuja narrativa está contida no evangelho marcano, em seu décimo quarto capítulo.
[...]
Não demorou até que eu engolisse o meu crítico senso de humor e me detivesse a alguns relatos no texto:
"... os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei estavam procurando um meio de flagrar Jesus em algum erro e matá-lo..." (v.1)
"Então, Judas Iscariotes, um dos doze, dirigiu-se aos chefes, afim de entregar-lhes Jesus. A proposta muito os alegrou, e lhe prometeram dinheiro. Assim, ele procurava uma oportunidade para entrega-lo" (v.10,11)
" O traidor havia combinado um sinal com eles:"Aquele a quem eu beijar, é ele". (v.44)
"Então todos o abandonaram e fugiram" (v.50)
"Pedro respondeu: eu não o conheço". (v.68)
À véspera da festa, havia um plano de traição. O local e os preparativos, haviam sido encomendados pelo próprio Cristo.
A alegria tornou-se um pranto, pois à festa, Cristo anuncia a traição(v.18), a rejeição (negação) (v.30) e o abandono (v.27).
Será exagero dizer que por causa de Cristo, Deus me pode entender?
Entender não apenas na dimensão cognitiva, mas no sentido de sym pathos, ou seja, no sentido de padecer; o mesmo termo descrito na carta aos hebreus 4.15, mostrando que "...Deus se compadece de nossas fraquezas...".
Talvez, se Cristo não houvesse se decepcionado com Deus, ("Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste?" Mc 15.34) não entenderia o sofrimento e teria fracassado em ser humano.
Cristo aprendeu a ter coragem.
Só aprende a ter coragem quem é tentado a fugir.
Os mesmos lábios que declararam-no como "Cristo, filho do Deus vivo"; foram os que disseram: "Não o conheço".
Como não sentiria a minha dor?
Rossana F. Refosco
YANCEY, Philip. Sinais da Graça. Almiro Pisetta. São Paulo:Mundo Cristão; 2011.p.105.
LUCADO, Max. Bênção Diária; Marcelo Santos. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2013.
imagem: Edvard Munch, Vampire II, 1895–1902.
23 de março de 2015
Da entrega
Meditação: A Alquimia da dor
Para Yancey, não fosse a vida e morte de Cristo, o cristianismo seria um grande paradoxo, visto que as coisas das quais mais combatemos em vida, a pobreza e a tristeza, seguem explícitas, e ocupando as primeiras linhas das bem aventuranças. (Mateus 5.3,4)
O próprio Cristo transforma a noção de dor, dignificando-a. "Devido a Jesus, eu nunca posso dizer sobre uma pessoa: "Ela deve estar sofrendo por ter cometido algum pecado"" (YANCEY, 2011, p.104)
Não estamos isentos de tragédias, Cristo também não.
A dor nos ofende.
Em meio a dor, Cristo não orou agradecido, ao contrário, implorou uma saída; Contudo submeteu-se a ela , entregando as questões mais difíceis à soberania do Pai, "...confiando que Deus poderia usar para o bem até mesmo o ultraje de sua morte" (YANCEY, 2011, p.104)
YANCEY, Philip. Sinais da Graça. Almiro Pisetta. São Paulo: Mundo Cristão. 2011.
imagem: Edvard Munch; Melancholy,1981
Rossana F. Refosco
Deus
Não obstante aos meus últimos ocorridos, presumo desnecessário deter-me aos dias que se passam ou ao calendário. Contudo, consinto em não deixá-lo esbranquiçado até que que venha sobre estes, o reparo.
Com tal reflexo de sentimento inusitado, pretendi compor um haicai; três versos não me tomaria o tempo, mas também não me conduziria à cura.
Preciso, para tanto, que meus próximos versos sejam contínuos numa interpretação noética da vida, cuja empiria não os negue, visto que permanece ardente em meu peito.
Não inicio, reitero Deus(ou que chamem de mistério) dos mais profundos desejos de todo o meu sentido.
imagem: Cândido Portinari, escada de corda, 1955.
Rossana F. Refosco
Com tal reflexo de sentimento inusitado, pretendi compor um haicai; três versos não me tomaria o tempo, mas também não me conduziria à cura.
Preciso, para tanto, que meus próximos versos sejam contínuos numa interpretação noética da vida, cuja empiria não os negue, visto que permanece ardente em meu peito.
Não inicio, reitero Deus(ou que chamem de mistério) dos mais profundos desejos de todo o meu sentido.
imagem: Cândido Portinari, escada de corda, 1955.
Rossana F. Refosco
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